As lojas vazias da Praça de Lisboa (Porto) captaram a atenção de António Vieira França. Portuense nascido em Campanhã, o artesão de 48 anos não se conforma com o deserto em que se converteu uma das áreas nobres e centrais da cidade e está decidido em combater este abandono, que trouxe os primeiros sinais de vandalismo à galeria comercial. O olhar vigilante dos guardas, contratados pela SPEL - Sociedade de Parques de Estacionamento, evita a destruição do espaço.
O artesão, que se dedica à pintura em tecidos, acalenta o sonho de transformar a antiga Praça do Anjo num centro de cultura popular nacional. "A minha ideia é transformar este espaço numa mais-valia na cidade do Porto, colocando 22 artesãos a trabalhar ao vivo nestas lojas", conta António Vieira França, apontando, ainda, a possibilidade de abrir um restaurante com gastronomia de diferentes regiões do país nas antigas instalações do Café na Praça (o último resistente do Clérigos Shopping que fechou há cerca de três meses) e da Pizza Hut.
"Temos o exemplo e a experiência das feiras de artesanato, que atraem milhares de pessoas. Se a Câmara do Porto cedesse o espaço a custo zero, estou certo de que haveria muitos artesãos interessados em instalar-se aqui, em vez de andar de feira em feira pelo país. Por isso, acredito que este é um projecto que tem pernas para andar. É uma boa solução para fazer renascer a Praça de Lisboa das cinzas", defende o artesão, de olhos postos na fonte seca rodeada por lojas.
O investimento seria baixo, estima António Vieira França, interessado em aliar a etnografia e o folclore à gastronomia e ao artesanato. O pequeno palco circular, executado na praça, poderia voltar a receber música e outras formas de animação, privilegiando a cultura popular.
Esta proposta já foi apresentada à autarquia portuense no mandato anterior. António Vieira França recorda as duas reuniões com o então vereador das Actividades Económicas, Fernando Albuquerque. "Considerou que a ideia era interessante", assinala. Agora, já solicitou o agendamento de uma nova reunião para mostrar a proposta à adjunta do actual vereador das Actividades Económicas, tendo em conta que a Câmara irá assumir a gestão do espaço.