O presidente do Boavista, João Loureiro, está de "consciência tranquila". Diz que nada fez de ilegal, que apenas agiu em nome da defesa dos direitos do clube e voltou a disponibilizar-se para prestar os "esclarecimentos adicionais" que as autoridades entenderem sobre o processo relativo à alteração do PDM que permite construir no campo de treinos dos boavisteiros. E acrescentou que, segundo lhe parece, a matéria em causa foi já arquivada pelo Ministério Público.
O dirigente admite ter falado com Manuel Teixeira, chefe de gabinete do presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, sobre o PDM e operações urbanísticas, mas diz ter-se tratado de uma "conversa banalíssima", em que sustentou a posição que vinha repetindo publicamente, incluindo ao ex-presidente da República, Jorge Sampaio.
Numa declaração aos jornalistas, Loureiro argumentou que sempre vincou a "discriminação gravíssima" do Boavista quanto aos apoios para os estádios do Euro 2004 e que a venda do campo de treinos para construção foi a alternativa encontrada para custear parte do novo recinto e o pavilhão (ainda por fazer). João Loureiro referiu que a "reivindicação" [alteração do PDM] nunca foi feita de" forma secreta, enviesada ou ilegítima", sublinhando que a proposta até foi aprovada, por unanimidade, pela Assembleia Municipal.
"Se houve processo de alteração do PDM discutido foi este", reiterou, explicando que os moradores das redondezas receberam um mapa com a proposta do Boavista, semelhante ao que foi encontrado no gabinete de Manuel Teixeira. Quanto ao alegado pedido de intervenção da câmara para obter a cedência de um campo do INATEL, lembrou que a parceria entre aquele organismo e o Boavista nunca avançou.
Em declarações à Lusa, fonte do gabinete de Imprensa da Câmara do Porto atribuiu a notícia das investigações a Manuel Teixeira e João Loureiro, no âmbito do Apito Dourado, a uma "guerra aberta" do JN à autarquia. "A notícia insere-se na guerra aberta do JN contra a Câmara do Porto e no quadro em que vive a nossa sociedade, em que vale quase tudo", referiu. Hugo Silva