Metade da água comprada pelos Serviços Municipalizados de Águas e Saneamento (SMAS) do Porto não foi facturada no ano passado. Dos 39,9 milhões de metros cúbicos de água adquiridos, mais de 21 milhões foram perdidos ou gastos em fornecimentos gratuitos. Ainda assim, o relatório de prestação de contas dos SMAS regista uma ligeira descida nas perdas de água em relação a 2004. Perderam-se menos 963 mil metros cúbicos.
O documento, que será apresentado, amanhã, ao Executivo em reunião extraordinária da Câmara, com 11 dias de atraso (a lei define que o relatório tem de ser votado em Abril), aponta para um resultado líquido negativo de 392 mil euros, sobretudo devido ao aumento do valor das amortizações. O atraso na apresentação das contas dos SMAS, explicado em conferência de Imprensa e sem uma justificação formal aos vereadores, tem sido criticado pela Oposição. O Conselho de Administração dos SMAS esclareceu que o atraso se deveu à decisão de alargar a auditoria em curso a todo o ano de 2005 e de corrigir algumas irregularidades contabilísticas detectadas.
No momento em que é conhecida a vontade de transformar os serviços em empresa municipal até Junho, a Comissão de Trabalhadores dos SMAS reclama, em comunicado, o direito à participação na "elaboração dos documentos, que definam os direitos e os deveres dos trabalhadores", nomeadamente na definição dos termos do protocolo sobre a requisição dos funcionários, a celebrar entre a Câmara e a futura empresa municipal.
Após a reunião com o Conselho de Administração dos SMAS, a comissão sublinha que recebeu a garantia de que o estudo de viabilidade económica e financeira da empresa não está finalizado. "No entanto, tudo aponta para que haja viabilidade", refere-se também. Logo que esteja concluído, a Câmara será a primeira entidade a apreciá-lo.
O número de funcionários dos SMAS cresceu no ano passado, invertendo a tendência de descida que se verificou em 2004. Hoje, são 595 funcionários.