Afutura empresa municipal Porto Lazer deverá entrar em funcionamento ainda este ano. O estudo de viabilidade económica e financeira prevê que a Câmara do Porto transfira 1,2 milhões de euros para o novo organismo - responsável pela gestão dos equipamentos desportivos e pela organização de eventos desportivos e culturais de animação da cidade - no segundo semestre de 2006. Mas o objectivo é que a terceira empresa do Município seja capaz de autofinanciar-se em 47% do valor global das duas despesas.
Uma tarefa difícil, tendo em conta que os resultados de exploração dos equipamentos, geridos pelo Gabinete de Associação de Desporto do Porto e que vão passar para a alçada da nova empresa, são negativos. No ano passado, os proveitos ascenderam a 1,26 milhões, enquanto os custos ultrapassaram os 2,61 milhões, conduzindo a um resultado negativo de 1,35 milhões. Só a exploração do campo sintético do Viso não deu prejuízo.
O estudo, elaborado pela Escola de Gestão do Porto e a que o JN teve acesso, estima que ainda este ano se obtenham 1,65 milhões de proveitos. Um valor que inclui o subsídio à exploração da autarquia. No próximo ano, ascenderá a 4,69 milhões e, no "ano cruzeiro" (2008) da Porto Lazer, subirá para os 4,87 milhões. Este montante integra os 3,4 milhões dados pela Câmara portuense. E calcula-se que até 2012 este subsídio continuará a subir, alcançando os 3,9 milhões.
O documento aponta o caminho dos patrocinadores de eventos e de mecenas para reduzir a factura municipal. "O maior ou menor sucesso neste envolvimento de entidades terceiras no financiamento da empresa permitirá reduzir, de forma mais ou menos significativa, as necessidades de financiamento corrente da Câmara à empresa", refere-se no estudo, que propõe um total de 143 funcionários na Porto Lazer, absorvendo os quadros da autarquia, Gabinete de Desporto e Culturporto.
A animação da cidade - uma competência que transita da Culturporto, que fica apenas com a gestão do Rivoli, para a empresa municipal - contará com 37 pessoas. O objectivo é recrutar, ainda, cerca de 60 dos "actuais funcionários da Câmara, essencialmente afectos aos jardins do Palácio de Cristal e destacados na Empresa Municipal de Habitação e Manutenção a desempenhar funções na área de montagem de palcos". Calcula-se que os custos com pessoal em 2006 serão de 717 mil euros, crescendo para 1,83 milhões em 2007. O estudo de viabilidade adianta que competirá ao Município o pagamento de indemnizações decorrentes do processo de reorganização do pessoal. Mas nada é dito sobre dispensas.