A anterior Direcção da Culturporto diz estar "espantada" com as recentes declarações de Rui Rio sobre a alegada falta de gosto pelo trabalho que diz existir em alguns funcionários da Associação de Produção Cultural que gere o Teatro Rivoli e é responsável pela animação da cidade.
"Tenho, sobre eles, uma ideia radicalmente diferente", contraria Marcelo Mendes Pinto, ex-presidente da Culturporto. "Encontrei uma verdadeira equipa, incansável, que nunca regateou horário de trabalho, e que tinha amor à causa". A "estranha" afirmação do autarca portuense só pode resultar, observa, de uma "deficiência de informação".
João Alpuim Botelho, ex-vice-presidente da estrutura, partilha a posição. "O que sempre senti em quase três anos é que de cada vez que havia projectos havia também uma enorme motivação dos funcionários, amor à camisola, mesmo nos períodos difíceis, como no pós-2001, em que houve uma quebra financeira". Alpuim considera urgente a "clarificação da situação dos teatros Rivoli e Campo Alegre e das competências dos funcionários da Culturporto, que há um ano vivem numa fragilidade desumana". E acrescenta "O Rivoli, enquanto sala de produção, precisa daquelas pessoas. É necessária uma estrutura gestora para que o Teatro Municipal possa apoiar a criação e a produção artística".
Mendes Pinto repete a frase de sempre quando o assunto é a Culturporto "É um Ferrari que só precisa de gasolina para andar". E esclarece: "Os funcionários dependem das chefias: se o discurso é galvanizador, eles rendem; se o discurso é negativo, ressentem-se". A Câmara, através do gabinete de imprensa, afirmou ao JN que não irá reagir ao abaixo-assinado anteontem subscrito pela quase totalidade da equipa da Culturporto, exigindo a Rui Rio um desmentido.
João Alpuim manifesta ainda alguma surpresa em relação à ausência da associação que presidiu, na terceira edição Festa da Baixa. "Foi uma iniciativa da Culturporto, em 2003. Não se compreende que desperdicem o 'know how' de quem iniciou a parceria com o Centro Nacional de Cultura".