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Pirataria leva clubes de vídeo à falência

Publicado

Isabel Forte
 

Apirataria cinematográfica lesou o Estado português em mais de 15 milhões de euros no ano passado e acabou com a vida de 170 clubes de vídeo, de um total de 1000. Números manchados, já no primeiro trimestre deste ano, com a morte de mais 2% das lojas existentes. "Por este andar", diz desanimado Pedro Oliveira, da "Discovídeo", em Matosinhos, "também eu fecho". O proprietário até já acrescentou, do próprio bolso, dinheiro à facturação da loja em 2005. A pirataria de filmes, critica, "é uma praga, sem que haja um combate eficaz".

Nos três primeiros meses deste ano, revela a Inspecção-Geral das Actividades Culturais (IGAC), em 147 acções foram apreendidas 48 448 cópias piratas, mais 11% do que em igual período de 2005. Dados que levam a IGAC a reconhecer que a situação é "bastante grave no respeitante à pirataria audiovisual, nomeadamente na distribuição física de cópias em feiras e mercados".

Jorge Pinto, director da Associação de Comércio Audiovisual de Portugal (ACAPOR), está tremendamente zangado. "Não foi por ter havido um aumento das apreensões que os clubes ficaram em melhores condições. Os piratas com o material apreendido numa semana estão de regresso ao mesmo local na semana seguinte". Resultado "Desde há dois anos que a pirataria tem provocado fortes quebras no aluguer". A associação peleja e estrebucha, alerta e grita, mas "é uma luta injusta", confessa, "devido à ineficácia das autoridades e à falta de assistência do Estado", designadamente, diz, do Ministério da Cultura e da IGAC. "Foram dezenas de queixas efectuadas ao longo destes dois anos, completamente inconsequentes". Para os piratas, diga-se.

Preocupada mostra-se, também, a Federação dos Editores de Videogramas (FEVIP). "A pirataria de filmes, além de afectar gravemente o mercado de vídeo em geral, está a afectar consideravelmente o cinema", admite o director Paulo Santos. E a tendência é para aumentar "A pirataria vive essencialmente em torno das novidades, muitas delas estreadas em sala de cinema nacional e a grande, ou até esmagadora, maioria, aparece nos mercados cerca de três meses antes do lançamento legal em DVD". A consequência é que "os piratas não pagam nada a ninguém" e "têm um período de exclusividade de vários meses para vender os filmes mais desejados no mercado".

Estado perde 15 milhões

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