s instalações fabris da cimenteira Secil, situadas na Rua do Ouro, no Porto, estão a ser demolidas. Cerca de doze anos depois da empresa e a Câmara portuense terem chegado a acordo para a retirada dos silos, só agora é que as retroescavadoras arrasam os edifícios desactivados há vários anos. Cumprindo o entendimento obtido na década de 90 (ler cronologia), o terreno da Secil será ocupado por um prédio único com oito pisos, sendo que dois são recuados. O projecto, de autoria do arquitecto Rogério Cavaca, contempla a criação de 70 habitações e ficará concluído dentro de dois anos.
O despacho final de aprovação das obras de construção foi dado pelo antigo vereador do Urbanismo, Paulo Morais. No entanto, o aproveitamento urbanístico da Secil já conheceu, pelo menos, duas soluções distintas, tendo gerado alguma polémica. "A nossa solução inicial não era um edifício tão fechado. Preferíamos edifícios isolados e altos com aberturas para a escarpa. A actual Câmara e a anterior defendiam um edifício mais comprido e mais baixo", explicou, ao JN, Rogério Cavaca. O arquitecto sublinha que, a partir do momento que se iniciou o estudo para encontrar a solução urbanística adequada à marginal, a sua "opção de princípio" foi a de libertar a escarpa, afastando a urbanização.
A solução inicial, que resultava de uma colaboração entre a Secil e a Imoloc, previa a execução de cinco edifícios soltos de 12 andares e um recuado para habitação e comércio. Então, as "Casas do Rio" afastavam-se da escarpa e previam a construção de três pisos enterrados para estacionamento. O primeiro piso seria para aparcamento público, com 256 lugares. No entanto, o projecto, que dividiu a Câmara ainda durante a gestão socialista, não vingou. Sob a liderança de Rui Rio e com Ricardo Figueiredo à frente do Pelouro do Urbanismo, iniciaram-se negociações entre a autarquia e a Secil em busca de um projecto consensual. A cooperação entre a cimenteira e a Imoloc extinguiu-se.
Como Ricardo Figueiredo entendia que a substituição da cimenteira - que criava poluição e um movimento intenso de camiões a carregar cimento para distribuir no Norte do país - por outra construção era uma "vantagem para a cidade", foram estudadas várias propostas. A solução final, que mereceu o aval municipal, prevê a construção de um bloco único com 70 habitações (desde T2 a T5 duplex), dois pisos enterrados de estacionamento para moradores e afastado da escarpa. "Todo o rés-do-chão é aberto para facilitar o acesso à escarpa e haver circulação de peões", indica Rogério Cavaca. A praça por baixo do edifício será em lajeado de granito e terá dois espelhos de água. Por trás do prédio e junto à escarpa que será consolidada, nascerá um jardim com bancos.
O investimento global ascende a 27 milhões de euros, sendo que 15 milhões destinar-se-ão à construção do edifício, em que todos os quartos e salas estarão voltados para o rio Douro. "Estão a fazer-se as demolições das instalações fabris. De seguida, vamos fazer a consolidação da escarpa com pregagens. A construção do edifício só deverá começar em Setembro", sublinha o arquitecto, assinalando que cada uma das dez habitações dos dois pisos recuados terá uma piscina.