Doze empresas já compraram os cadernos de encargos para dez dos 15 concursos destinados a construção de outras tantas centrais de produção de energia eléctrica utilizando resíduos florestais, manifestando interesse num total de 65 megawatts de potência instalada, o que representa um investimento próximo dos 200 milhões de euros.
Lançados em Fevereiro passado, os concursos, que decorrem até 11 de Setembro, visam a instalação de 15 novas centrais termoeléctricas localizadas em regiões do país com elevado risco de incêndio e abundância de resíduos florestais, prevendo-se um total de 100 Mw de potência instalada.
O objectivo do Governo é garantir, até 2010, uma potência de 150 Mw atribuída a centrais de biomassa, como contribuição para concretizar o compromisso europeu de garantir em 22,1% do consumo nacional de electricidade com origem em fontes renováveis de energia. Por outro lado, pretende-se diminuir as emissões de gases com efeito de estufa. O terceiro objectivo é diminuir os riscos de incêndio, fazendo com que a área anualmente percorrida por fogos florestais seja inferior a 50 mil hectares.
Teoricamente, a meta dos 150 Mw será ultrapassada, pois uma dezena de pontos de ligação à rede eléctrica nacional em vários pontos do país já está autorizada para receber uma potência da mesma ordem de grandeza. Embora nenhuma tenha avançado.
Em Portugal, existem apenas duas centrais térmicas a biomassa destinadas à produção de energia (há mais nove para a cogeração de calor em várias indústrias ligadas à floresta). A maior, com 9 Mw, localiza-se em Mortágua. Fornecendo 60 GWh de electricidade por ano (suficiente para uma população de 35 mil habitantes), a unidade da Bioléctrica (participada da EDP), consome cerca de 80 mil toneladas de resíduos florestais por ano. A segunda, com apenas 3,5 Mw, em Vila Vela do Ródão (texto abaixo), gasta cerca de 40 mil toneladas.