Sereno arranque o do 2.º acto do Super Rock. Ontem, a meio da tarde, a entrada do recinto do Parque Tejo, em Lisboa, era mais povoada por malta a tentar vender bilhete do que propriamente a comprar ingresso. Mesmo assim, o recinto recebeu, aos poucos, uma paleta humana considerável. À hora do fecho da edição, a multidão andaria na ordem das 20 mil pessoas.
Os primeiros amplificadores ligaram-se para os Summer Sky. Quem são os Summer Sky? Quase ninguém sabe - mas um festival também é isto uma montra de novos projectos. Numa vintena de minutos, o quinteto português despejou um rock ainda algo verde, deixando, todavia, boas pistas que podem ser exploradas no futuro: nomeadamente se optarem por uma maior visceralidade em detrimento da limpeza do som. A vocalista, na casa dos 20, distribuiu simpatia e humildade - ao ponto de confessar que o cenário era "um bocado assustador para primeiro concerto".
Seguiram-se os Editors, amiúde comparados com os Interpol que, por sua vez, não escapam às analogias com Joy Division. Ora, o grupo de Ian Curtis é uma referência dos Editors - ainda que apostem numa maior pujança de guitarra. Dir-se-á que são medianos e que nada de novo trazem, contentando apenas todos os que nunca terão ouvido o clássico "Unknow pleasures".
A música melhorou logo a seguir com Weatherman no palco das bandas nacionais. E aqui, sim, viu-se um belo exemplo de quem sabe aglutinar influências óbvias - Brian Wilson, sobretudo -, mas projectá-las para uma realidade nova. A arte de Weatherman personifica uma revelação da música nacional e não é difícil descortinar a matéria que encanta sentido melódico apurado e invulgar capacidade em construir paisagens sonoras solarengas de pop.
Sem demoras, os dEUS iniciaram a que terá sido a sua enésima actuação em Portugal. Com nova formação, cedo se reparou que a assistência estava mais receptiva em ouvir temas como "Instant street" do que propriamente o novo material.