Vindos de todas as dioceses do continente e das ilhas dos Açores e Madeira, cerca de 30 mil crianças pediram a ajuda "do anjo de Portugal" em "defesa das vítimas" e contra as pessoas que "maltratam, desprezam e destroem a vida dos outros".
Durante a eucaristia da Peregrinação Nacional das Crianças, que ontem teve lugar em Fátima, os mais pequenos lembraram "aqueles que estando inocentes, sofrem toda a espécie de castigos", e outros "cuja vida corre perigo". Rezaram também "por todos os meninos e meninas, jovens e adultos, que vivem angustiados pelo medo da guerra e do ódio que pode provocar sofrimento e morte". "Tu sabes que temos medo da noite e do desconhecido; mas há muitas maldades dos homens e das mulheres contra os seus irmãos que causam ainda mais medo", rezaram as crianças durante a Oração dos Fiéis, numa missa a que presidiu o bispo da diocese de Leiria e Fátima.
Numa linguagem muito simples, próxima e repleta de perguntas, D. Serafim Ferreira e Silva agradeceu a presença das crianças, e pediu-lhes coragem. "Vou rezar para que tenhais coragem, lucidez e alegria para ajudar o mundo a ser mais justo e fraternal", afirmou o prelado pedindo aos pequenos para que não tenham medo, uma expressão utilizada pelo Anjo na primeira aparição aos três pastorinhos, Jacinta, Francisco e Lúcia, ocorrida durante o ano de 1916.
As cerimónias de ontem, que contaram com a presença de mais de 100 mil peregrinos, terminaram com a entrega de um livro, intitulado "O anjo de Fátima", que reproduz um conjunto de trabalhos feitos por alunos de 54 escolas do primeiro ciclo, que participaram num concurso promovido pelo santuário. Foram escolhidos alguns desenhos e textos de crianças com idades compreendias entre os seis e 10 anos.
Uma "surpresa" com que os organizadores da peregrinação brindam as crianças presenças, numa peregrinação diferente daquelas que ocorrem no recinto, entre Maio e Outubro.