O caso da transexual assassinada por um grupo de menores, no Porto, em Fevereiro, foi ontem discutido no Parlamento Europeu (PE), em Estrasburgo, que instou as autoridades portuguesas a "fazerem tudo" para punir os responsáveis pela "tortura e homicídio terríveis" de Gisberta, e a combater o "clima de impunidade" deste crime. Gisberta, recorde-se, foi violada e violentada por 14 crianças que estavam sob protecção da Oficina S. José (ler texto em baixo).
Portugal é um dos países apontados numa resolução contra o racismo e a homofobia ontem aprovada - 301 votos a favor, 161 contra e 102 abstenções - no plenário do PE, sem os votos de grande parte da Direita. É ainda referenciado por, juntamente com a Itália e a Grécia, ser um dos países onde não existem registos estatísticos relativos à violência de índole racista. Ficou, por isso, colocado no mesmo plano da Polónia, onde membros do actual Governo multiplicam insultos contra a comunidade homossexual, tendo até instigado publicamente à violência física contra esta minoria.
O Partido Popular Europeu/PPE não apoiou a resolução por discordar da confusão entre casos de agressão individuais e posições extremas tomadas abertamente por certos responsáveis governamentais.Explicando as razões pelas quais o seu grupo não assinou a proposta, o democrata-cristão Patrick Gaubert defendeu que essas situações deveriam ser diferenciadas. A luta contra o racismo, a xenofobia, a homofobia "não é de Esquerda ou de Direita", argumentou.
O presidente dos socialistas, Martin Schulz, replicou, lamentando o facto de ainda ser necessário debater a luta contra o racismo e a xenofobia. "É alarmante", frisou. "A luta deve mobilizar todas as forças democráticas".
O plenário reprovou politicamente os actos de discriminação, mas não ousou ir mais longe.