Um ex-militar da GNR, de 53 anos, é suspeito de ter assassinado pelo menos três adolescentes suas vizinhas, no último ano e meio. Uma quarta vítima, também de Santa Comba Dão, estaria já escolhida - como é hábito quando estamos perante um "serial killer" - quando, anteontem, a Polícia Judiciária de Coimbra efectuou as buscas que permitiram a detenção. Embora o detido já tenha confessado os três homicídios, os investigadores receiam que o número de vítimas possa ser superior.
Eram todas adolescentes, tinham até frequentado a mesma escola - frise-se que o suspeito pertenceu à "Escola Segura" -, terão sido todas atiradas à agua depois de violadas e assassinadas e confiavam naturalmente no homicida. Era um homem respeitado por todos . Os mesmos que ontem, no lugar de Cabecinha de Rei, não encontravam palavras para descrever as últimas 24 horas. Maria Santos, vizinha do ex-GNR, há mais de 30 anos, recordou, ao JN, que o suspeito "tinha um comportamento óptimo". "Depois de reformado andava sempre no quintal a trabalhar. Não havia qualquer tipo de suspeita", disse.
"Nem acredito que tenha sido ele. Ainda estou para ver se tudo o que dizem é mesmo verdade. Todos os dias falava com ele e parecia andar sempre bem disposto", referiu Maria Santos.
"Ninguém compreende isto", disse, por sua vez, João Oliveira Santos, um outro vizinho. "Ele era conhecido por "Ti Toi", um tipo porreiro", acrescentou. Segundo a mesma fonte, "é difícil suspeitar de alguém com tal comportamento". Aliás, adiantou, "quando aconteceram os desaparecimentos, e como eram todos nesta zona, até chegámos a suspeitar de uma outra pessoa, mas nunca dele".
O ex-militar da GNR "fazia um vida normal, era uma pessoa bem vista e até ocupava cargos de direcção na Casa do Benfica de Santa Comba Dão e também na Direcção do Grupo Desportivo Santacombadense", concluiu João Santos.