Otraçado à superfície da Linha da Boavista é defendido no estudo, realizado por Álvaro Costa, professor da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), a pedido do Governo. O JN apurou que uma das ligações mais polémicas da segunda fase da rede do Metro é justificada face à necessidade de descongestionar o troço entre as estações da Senhora da Hora e da Trindade, sem perder de vista o custo.
O orçamento de 90 milhões de euros e o prazo de execução de 18 meses convenceu o especialista que, no documento, destaca que a construção da ligação pela Boavista é a opção mais barata e mais fácil de concretizar, uma vez que já existe um canal aberto. O estudo faz uma "reflexão" sobre as linhas da segunda fase de expansão da rede, condicionada à convicção do actual Governo de repensar decisões tomadas pelos anteriores Executivo e que ainda não foram concretizadas. Por diversas vezes, o ministro das Obras Públicas, Mário Lino, referiu que não se executariam novas obras de expansão do Metro do Porto sem que o estudo, encomendado à FEUP, ficasse pronto.
O presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, Guilherme Pinto, crê que é o momento para discutir o futuro. "Não é tempo perdido discutirmos um estudo que foi encomendado. Estou curioso para conhecê-lo, mas, pelo que sei, confirma parte das pretensões de Matosinhos", sublinha o autarca, manifestando o desejo para que a construção da Linha da Boavista avance rapidamente. O socialista lembra que há outra ligação fundamental para o Município a linha entre a estação da Senhora da Hora e o Hospital de S. João.
Já o presidente da Câmara de Gaia, Luís Filipe Menezes, entende que a segunda fase encontra-se em "stand by" e a sua concretização estará "intimamente ligada à alteração do modelo de gestão da Empresa do Metro". Anteontem, a secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, voltou a dar boas notícias ao autarca, frisando que o único compromisso, assumido pelo Governo, se resume à extensão da actual Linha Amarela até Laborim. Implica a construção de um interface.
No entanto, ainda não há data para avançar. É certo que o financiamento do interface resultará de parcerias publico-privadas. Luís Filipe Menezes defende a constituição de uma entidade pública, maioritariamente tutelada pelo Estado e com a participação da Câmara de Gaia, da Metro e dos particulares.