O edifício ocupado pela Penitenciária poderá transformar-se na "maior biblioteca do país", com a transferência para aquele espaço do espólio das bibliotecas Municipal e da Universidade de Coimbra. A ideia partiu do director da Biblioteca Geral da Universidade, Carlos Fiolhais, e foi desde logo apoiada pela Câmara de Coimbra, como afirmou, ao JN, o presidente Carlos Encarnação.
O programa de intervenção para a renovação urbana da actual Penitenciária será hoje discutido na reunião semanal do Executivo. De acordo com Carlos Encarnação, é objectivo da autarquia manter o edifício e "dar-lhe uma vertente cultural", pelo que "aderimos de imediato" à ideia de criação da Casa do Conhecimento.
A intervenção, que hoje deverá ser analisada, preconiza, por outro lado, a criação de "um corredor verde, entre o Jardim de Santa Cruz e o Aqueduto de S. Sebastião". A proposta admite, igualmente, a possibilidade de construção, numa área que o presidente da Câmara garante não ser superior a 20%, seja para habitação, ou serviços. Esta foi a forma encontrada para "valorizar esses terrenos" de forma a que o Ministério da Justiça "consiga a contrapartida financeira para ajudar a construir a nova cadeia", refere Carlos Encarnação.
No espaço hoje ocupado pela cadeia deverá reunir-se, segundo a proposta de Carlos Fiolhais, o espólio das duas bibliotecas. No entanto, como avisa, a ideia "não é fundir, mas juntar no mesmo edifício, sem, contudo, sobrepor funcionalidades". Ou seja, concretiza, "o público vai à procura de um livro e entregam-lhe um, esteja ele num lado ou no outro". Aliás, a funcionalidade terá de ser estudada, mas a ideia de partida "é manter a distinção entre as duas bibliotecas. Não se trata de alienar nada, o que podemos é ocupar um espaço comum e servir o público de forma coordenada".
O objectivo, de acordo com este responsável, é, em resumo, ter uma Casa do Conhecimento que "reunisse a maior biblioteca do país", virada para "as formas modernas de acesso ao conhecimento".