"Estou a ficar velha. Quero trabalhar em casa. Quero pintar e escrever. Não quero ir a festivais de cinema" - disse Sylvia Kristel, actriz celebrizada por "Emmanuelle", anteontem, em pleno festival de cinema. Os Encontros Internacionais de Cinema, Televisão, Vídeo e Multimédia de Avanca acolheram a mulher que fez tremer o Mundo quando encarnou, nos anos 70, a personagem mais famosa do cinema erótico europeu. Mas a pacata Avanca nem estremeceu.
Depois de um jantar sem cadeiras, Sylvia Kristel chega cansada ao Auditório Paroquial de Avanca sem que as escassas centenas de pessoas dessem pela emblemática passagem. A abertura da 10.ª edição do festival estava marcada para as 22 horas. A abertura tardou os 45 minutos gastaram-se em torno de mesas de praia com toalha cor de vinho, um garrafão do mesmo e milhares de copos de plástico em miniatura. "Ainda bebi o Porto, mas era demasiado forte para mim", comentou Sylvia, depois de ter atirado, num gesto rápido de alívio, o suposto Porto ao lixo.
E, no 'foyeur' paroquial, a ex-actriz aproveitava uma pedra de mármore para dobrar as pernas. Mete conversa, fala de futebol, pergunta se sabemos o que se passa no auditório para justificar tanto atraso. Ninguém sabia, mas a desconfiança caía sobre um velho costume português...
A cerimónia começava finalmente. No entanto, até Sylvia Kristel apresentar o seu primeiro filme, enquanto realizadora, teria ainda que assistir - sentada - a um desfile de discursos protocolares e ao 'timing' inusitado da entrega dos prémios de Avanca'05 ao longo de uma hora.
"Vou começar a mandar a minha irmã mais nova aos festivais de cinema em minha representação", comentou. "Quando és nova, voas, falas seis línguas e és linda... "