A Força Aérea de Israel decidiu, ontem à noite, parar os raides aéreos sobre o Líbano, durante 48 horas, para levar a cabo um inquérito sobre o bombardeamento de Cana, em que morreram 57 pessoas, maioritariamente crianças (ver em Primeiro Plano). A medida, anunciada por fontes americanas, foi confirmada em Jerusalém, onde o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros adiantou, ainda, que Israel coordenará, com a ONU, uma janela de 24 horas para que todos os que o desejam possam abandonar o Sul do Líbano.
Estes avanços não significam, porém, um cessar-fogo, matéria que dividia, à hora do fecho desta edição, o Conselho de Segurança das Nações Unidas, convocado de urgência a pedido do secretário-geral, Kofi Annan, e do primeiro-ministro libanês, Fuad Siniora.
Embora houvesse propostas nesse sentido, designadamente da França, não é de crer que o Conselho aprove uma resolução para determinar o fim das hostilidades. O que estava em discussão, e que levou à interrupção dos trabalhos, para consulta dos respectivos governos, era se a reacção à morte de civis em Cana teria a forma de Declaração Presidencial ou declaração à Imprensa, sendo que a primeira destas requer unanimidade dos 15 membros.
A Declaração Presidencial seria um instrumento mais convincente, embora esteja longe de ter a força de uma resolução. As resistências às propostas que têm estado na mesa partem, essencialmente, dos EUA, que apoiam Israel na rejeição de um cessar-fogo imediato, como pretendem a França e outros, optando por seguir as acções destinadas a neutralizar o Hezbollah. A proposta francesa assenta na troca de prisioneiros e no reforço da ONU, em especial para controlo de uma zona desmilitarizada ao longo da fronteira.