O Governo pretende fundir as quatro freguesias da zona histórica do Porto, no âmbito da lei da reorganização administrativa que será votada até ao final do ano. Para já, a medida não passa das intenções, mas o ministro da Administração Interna, António Costa, já conversou com presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, que não lhe manifestou qualquer objecção. A contestação parte, antes, dos presidentes de junta abrangidos, que, apesar de serem socialistas, se associam às populações nas críticas ao Governo.
A conversa entre o ministro e o autarca já foi em Dezembro. "Referiu-me que o Governo tinha a ideia de ajustar e reduzir o número de freguesias e que, se calhar, só o faria nos centros urbanos. Disse-lhe que acho uma ideia positiva repensar um bocado o território", revela, ao JN, Rui Rio.
O autarca aceita, assim, o contributo do Porto no processo para dar "maior eficácia" às freguesias. "Se for feito esse ajustamento, o Porto não deve ficar de fora", sustenta. No plano teórico, Rui Rio admite que as quatro freguesias da zona histórica (Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória) sejam fundidas numa única junta ou anexadas a Santo Ildefonso. E também diz que seria possível juntar Nevogilde à Foz do Douro.
"Serei sempre contra"
As intenções do Governo, que aguarda por um estudo para entregar o projecto de lei no Parlamento, ainda não foram comunicadas aos presidentes das quatro juntas. Mas, a contestação já é garantida, até porque os autarcas souberam que o secretário de Estado Eduardo Cabrita, numa recente deslocação ao Norte, sugeriu a hipótese da fusão.