OTeatro Municipal Rivoli, no Porto, recebeu, em 2005, mais de 130 mil espectadores. Descontando o mês de Agosto, altura em que o equipamento está invariavelmente fechado, calcula-se uma audiência média de 388 pessoas por dia. A este valor, exclusivo para espectáculos, haverá ainda a adicionar os cerca de 50 mil clientes que, no ano passado, frequentaram o Café Concerto e a Cafeteira. A frequência de oficinas e workshops não está contabilizada.
Os números foram avançados por Ada Pereira da Silva, responsável pela Plateia, Associação de Profissionais das Artes Cénicas, no programa "Fórum do país", emitido, anteontem à noite, em directo, na RTP N. O vereador da Cultura do Executivo portuense, Fernando Almeida, igualmente presente no debate, confirmou os valores, mas afirmou "querer ainda mais para a cidade", justificando, dessa forma, a recente decisão política de privatizar o Rivoli.
Ada Pereira da Silva manifestou estranheza pelo facto de a autarquia nunca ter divulgado o valor da audiência, que defende ser "considerável e dificilmente ultrapassável por um privado" e desmontou a percentagem das receitas divulgada pela Câmara, numa tentativa de ilustrar a falta de liquidez do espaço.
"Existe uma receita de 6% do total dos custos da Culturporto, associação cultural que geria o Teatro. Mas é importante colocar duas ressalvas por um lado, o custo suportado pela autarquia não contempla só o Rivoli, mas a animação da cidade. Ou seja, há uma verba que continuará a ser despendida com a recém-criada Porto Lazer, que se ocupará do S. João e de outras festas. Por outro lado, a Culturporto fazia serviço público, o que significa que a totalidade da receita da bilheteira dos espectáculos apresentados pelas companhias ou pelos festivais, como o Fantas ou o Fitei, não revertiam para a Culturporto, mas para as estruturas. E mesmo dos espectáculos comerciais, como "A laranja mecânica", de Nicolau Breyner, ou as peças de teatro brasileiras, a Culturporto só recebia 20% do universo da bilheteira".
"Receita muito razoável"