Aproveitar velhas oliveiras para atrair turistas é a proposta do grão-mestre da Confraria dos Gastrónomos e Enófilos de Trás-os-Montes e Alto Douro, António Monteiro. "A oliveira até sombra dá, dá tudo, e também pode dar turismo", defende. Como modelo aponta raros exemplares centenários espalhados pela região, como é o caso da "oliveira dos quatro quatros", a "oliveira do meio cântaro" e a "oliveira das prenhas" (ler textos na página). O dirigente considera que uma rota unindo todos estes "monumentos vivos", com pessoas locais a contar as histórias e lendas associadas às árvores, poderia constituir mais um atractivo para uma região que precisa de alargar a oferta turística.
A zambulha ou zamburina é uma rara oliveira histórica, que permanece bem agarrada à vida e cativa o respeito das vizinhas mais novas, num olival de Vilar de Ledra, no concelho de Mirandela. Terá entre 250 e 300 anos e pode ser um atractivo para a localidade. António Monteiro exemplifica com o Castanheiro do Etna que abrigou 100 cavaleiros na Sicília e com o monstro de LochNess na Escócia, que atraem milhares de turistas pelo seu misticismo e histórias associadas.
Abraço de seis homens
Apoiado ao enorme tronco, António Monteiro, garante que são necessários seis homens de mãos dadas para conseguir abraçar a oliveira. No tronco existem já várias tocas onde quase cabe um homem. "Alguns pastores ter-se-ão aqui abrigado da chuva, bem como devem servir de refúgio a muitos animais". Não a tivessem podado e seria hoje uma imponente árvore, capaz de abrigar sob a copa um rebanho de gado, tal como uma outra, a "santulhana", que existe em Lagoa, concelho de Macedo de Cavaleiros, e que abrigava dois rebanhos.
A oliveira não morre com facilidade, rejuvenescendo ano a ano. Por isso existem exemplares em várias partes do mundo com vários milhares de anos. Em Trás-os-Montes e Alto Douro existem muitas que foram as primeiras a ser plantadas no século XVI. "Facilmente se prova a sua idade com referência a dados históricos que recolhemos", declara aquele responsável, que tem dedicado algum tempo a estudar estes guardiões do tempo e não raras vezes leva outras pessoas aos sítios para os apreciarem. Na zona de Vilarelhos, Alfândega da Fé, em pleno Vale da Vilariça, existe mesmo um olival inteiro do século XVII.