pista de dança está lotada. As mesas onde vão sendo servidos pedaços de frango de churrasco, também. O agrupamento musical de serviço, baptizado SOS, canta primeiro em espanhol e depois em brasileiro "Só vejo a hora de você chegar para todo o meu amor mostrar". Os casais, dezenas deles, esquecem a idade, desentorpeçam a alma e colam os corpos, cedendo à balada.
A danceteria Júlio Denis, na Rua Costa Cabral, no Porto, é mais do que um espaço onde as pessoas se encontram para dançar. É um espaço de comunhão, onde não ninguém exibe tristezas e onde frequentemente tombam de amor. Anteontem, a sala mais antiga da cidade, celebrou o vigésimo aniversário.
"Foi aqui que nos conhecemos. Gostamos os dois de dançar e apaixonámo-nos", confessa um casal, no intervalo de uma dança, pedindo discrição. Têm mais de 70 anos, mas o romance devolve -lhes o sabor proibido da adolescência. "Somos namorados, mas os nossos filhos não podem saber. Não queremos deixar de vir aqui", apelam, quase com embaraço, antes de ele a levar, novamente para a pista, pela mão.
Pedro, o porteiro de 28 anos, está habituado a lidar com "estes clientes especiais". Respeita-os, porque diz saber "que não chega à idade deles". E admira-os "pela forma como conseguem sempre divertir-se tanto". Mas reconhece que nem sempre é fácil "São muito ciumentos. Sobretudo quando fazem anos". À entrada, os aniversariantes escrevem o nome num papel. Mais tarde, há- -de soar o hino de felicitações. "Se nos esquecemos de algum, o que quase nunca acontece, temos um problema", sorri.
Quando o relógio avisa que a meia-noite já vai longe, o timbre da música sofre uma mutação. Acaba o baile e começa a discoteca. Bráulio, quase 30 anos de trabalho nocturno, despe o casaco e a pose de relações públicas, que enverga na danceteria há apenas quatro meses, e sobe para a cabine do dj. "É muito bom trabalhar num local onde poderia encontrar os meus pais e os meus avós", sublinha. Bob Sinclair acelera o ritmo da pista com um dos hits de Verão, "Love generation".