A memória de Federico Garcia Lorca continua viva em Granada, quando se assinalam os 70 anos passadas sobre a sua morte às mãos dos franquistas. Para homenagear o poeta, o município de Alcanfar acolheu, junto à vala comum onde o seu corpo se encontra sepultado, um tributo que contou com a ministra da Cultura espanhola, Carmen Calvo, entre outros vultos de destaque da vida cultural daquele país.
Durante a oferenda floral, no monolito que, em 1986, foi erigido à memória de Lorca, a ministra da Cultura, visivelmente emocionada, relembrou o assassinato do poeta e ressalvou que o seu legado tem perdurado ao longo dos tempos.
Da homenagem constou ainda a exibição de um excerto do documentário "Lorca el mar deja de moverse", do cineasta Emilio Ruiz Barrachina, que ainda não estreou, mas está já a a causar polémica no país vizinho. No filme, o realizador sustenta a tese de que Federico Garcia Lorca foi morto a mando dos primos, os Róldan, com quem estava em conflito, num crime disfarçado de assassinato político.
Nos discursos das comemorações, Ian Gibson, biógrafo de Garcia Lorca, afirmou que o poeta é "um fenómeno incrível" e que "cresce de ano para ano" porque "a sua mensagem de amor ao próximo cresce de ano para ano". A homenagem a Lorca serviu de mote à evocação da memória de todas as vítimas da Guerra Civil Espanhola que, entre 1936 e 1939, provocou a morte a mais de 400 mil mortos.
Ao mesmo tempo, em Cadaqués, onde Federico Garcia Lorca passou várias temporadas em casa do pintor Savador Dali, assinalaram-se os 70 anos da sua morte com uma leitura de poemas ao pé da praia.