Nos últimos quatro anos a cidade do Porto perdeu quase 30 mil residentes, enquanto os municípios à volta engordam em população. Gaia já passou a barreira dos 300 mil habitantes e a Maia foi o concelho que mais cresceu em termos percentuais. Os resultados da contagem intercensitária do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam, por um lado, um aumento demográfico no total da Grande Área Metropolitana do Porto (GAMP) e, por outro, a debandada de milhares para os municípios envolventes com boas acessibilidades.
A contínua desertificação do Porto (menos 29 666 residentes do que os registados nos Censos de 2001) surpreende Rio Fernandes. "Não esperava que se prolongasse por tanto tempo", afirma o geógrafo, lembrando que a cidade está a perder população desde os anos 80. "No início começaram por perder as freguesias históricas, o que até era bom porque estavam sobrelotadas. Só que, agora, as perdas já são muito elevadas e estão a perdurar em excesso", assinala Rio Fernandes.
Já Álvaro Domingues, também geógrafo, não se surpreende com a "fuga" de 11,27% da população do Porto. E até desvaloriza os números. "Há algumas décadas se a população diminuía era um cataclismo, significava que alguma coisa estava a correr mal. Mas hoje os números não podem ser interpretados dessa forma. O Porto está a perder residentes, mas a população utente está a aumentar", considera. E a tendência, diz o geógrafo, deverá manter-se. Ou seja, no futuro a cidade será muito procurada de dia por estudantes, trabalhadores e turistas, mas tenderá a ficar mais deserta à noite. Um fenómeno que já se sente na Baixa há alguns anos.
Aposta na mobilidade
A Maia (com mais 12 934 habitantes do que em 2001) foi o concelho da GAMP com o maior crescimento percentual (10,77%). Já tinha sido assim na década de 90, recorda Rio Fernandes, sublinhando o feito de um município que atraiu residentes apostando na qualidade das habitações a preços competitivos. O aumento demográfico na Maia também "não espanta" Álvaro Domingues. Para o geógrafo, a melhoria das acessibilidades, nomeadamente viárias, e a habitação a preços razoáveis explicam o crescimento daquele concelho.