Os jardins de Sophia estão em transformação. Na antiga Quinta do Campo Alegre da família Andresen, onde a poetisa escreveu poemas perfumados e Rúben A. textos únicos, assiste-se, desde há algum tempo, à requalificação dos caminhos pedonais, infra-estruturas de drenagem, rega e iluminação. As obras custam cerca de 550 mil euros e quando termirarem, em Dezembro, outra luz iluminará as centenárias árvores, plantas raras e camélias.
Entra-se naquele palacete de memórias e parece que o tempo parou. A escadaria, tectos, piso e paredes são um testemunho de uma certa maneira de fazer arquitectura. E de viver. A clarabóia é um símbolo por lá entra a luz do Porto e do alto era frequente a família Andresen admirar o mar da Foz do Douro em dias luminosos.
Após a compra da quinta pelo Estado, o edifício do século XVIII cedeu lugar ao Jardim Botânico da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. Hoje, o casario e a enorme mancha com cerca de 12 hectares rodeada de árvores únicas exige mil cuidados, preservação, estudo e conservação. "Temos um jardim com três valências fundamentais científicas, pedagógicas e históricas. Para se ter a ideia da sua dimensão bastará referir que, entre outras preciosidades, existe cerca de meio quilómetro de camélias com um século de vida", lembra Teresa Andresen, arquitecta paisagista e membro do Conselho Directivo da Faculdade de Ciências.
Como estamos num mundo de seres vivos, o jardim precisa de renovação, obras que restituam a grandeza e esplendor do passado. Por estes dias, as máquinas fazem a remoção de terras, abre-se valas nos caminhos, substitui-se lancis, coloca-se tubos destinados ao sistema de rega e iluminação, limpa- -se as sebes, cria-se percursos para fruição mais atractiva. E protege-se as araucárias, glicínias centenárias, entre muitas outras espécies de grande valor científico.
"Desde os anos 40 que o jardim não sofria uma intervenção global e tão aprofundada como a que está a ser efectuada. Em 2001, foram realizadas algumas benfeitorias, mas o sistema de rega está obsoleto. Temos um património de grande valor científico e a recuperação era uma exigência. O trabalho está a ser acompanhado por uma equipa de botânicos e arquitectos paisagistas", salienta Teresa Andresen.