A economia portuguesa teria tido um crescimento negativo se não tivesse recebido o contributo de milhares de imigrantes que vieram trabalhar para Portugal, entre 1995 e 2005. Nesta década, a riqueza produzida por cada uma das pessoas que vive em Portugal (PIB/per capita) aumentou ao ritmo de 1,6% a cada ano, mas só porque recebeu o contributo de trabalhadores vindos de países terceiros. Sem contar com o efeito da imigração, em 2005 Portugal estaria mais pobre do que estava dez anos antes, indica um estudo feito pela Caixa Catalunya e ontem divulgado pela imprensa espanhola.
Caso Portugal não tivesse beneficiado de mão-de-obra estrangeira, o impacto negativo na economia seria, mesmo, quase três vezes superior ao que sofreria o conjunto dos países da União Europeia, anteriores ao alargamento a Leste. O estudo da Caixa Catalunya conclui que a riqueza produzida por cada habitante de Portugal teria diminuído ao ritmo de 0,63% ao ano (semelhante ao que teria acontecido em Espanha), quando os restantes Quinze teriam perdido apenas 0,23%. A dependência de Portugal da mão-de-obra estrangeira é, por isso, superior à da União a 15 países.
As excepções são a Irlanda, França e Finlândia, cujos PIB/per capita teriam crescido, embora a um ritmo muito inferior ao registado oficialmente, mesmo que não tivessem importado qualquer mão-de-obra estrangeira.
A ordem de grandeza do impacto que o banco espanhol calcula que a imigração teve na economia portuguesa é considerada "plausível" por Rui Marques, alto comissário para a Imigração e Minorias Étnicas. "É evidente que há um valor acrescentado para a economia do trabalho imigrante, não me espanta que haja um impacto positivo", afirmou.
Portugal conta hoje com perto de 400 mil imigrantes legalizados, a esmagadora maioria dos quais em idade activa e a trabalhar. "São uma população trabalhadora muito apreciada porque têm a intenção clara de trabalhar o mais possível e regressar à sua terra de origem ou atingir determinados objectivos sócio-económicos", entende o alto comissário.