A neblina da manhã deu lugar a um sol radioso, típico de um dia de Verão, no Ribatejo. As cores límpidas do rio Tejo misturam-se com a paisagem verdejante das margens, cenário interrompido pela pequena ilha, na praia do
Ribatejo, em Vila Nova da Barquinha. No pequeno maciço granítico, ergue-se o misterioso castelo de Almourol, tão antigo como as lendas escondidas pelas imponentes muralhas, de características romanas.
É João do Carmo quem guarda as chaves do monumento, aberto todas os dias aos turistas que o quiserem visitar. De barco, claro. É também este antigo funcionário dos Serviços Hidráulicos que conduz os curiosos, do cais ao castelo.
O barco, que comprou, há cerca de 15 anos, era para o filho, mas "ele não gostava que lhe chamassem barqueiro e desistiu do ofício". O pai agarrou na embarcação e começou a efectuar o percurso, tantas vezes quantas as necessárias para levar todas as pessoas que pretendem aceder ao interior do castelo.
Nos primeiros anos, a viagem era feita ao ritmo dos remos e directamente para a ilha. O progresso alterou os hábitos deste barqueiro e o motor facilitou a tarefa. Assim, o percurso, para deleite dos turistas, passou a incluir uma volta ao maciço para finalmente terminar no cais de acesso ao monumento, que pertenceu a um senhor feudal de origem goda, segundo a lenda.