Algumas conclusões podem tirar-se do "Sagres Porto Sounds" de sábado para domingo o vermelho promete ser uma das cores da moda de Outono; o hip hop e o rock são pratos para famílias; e o anfiteatro da meia colina do Parque da Cidade, no Porto - a lembrar muito o recinto do festival de Paredes de Coura - nasceu para palco de concertos medianamente populosos. Como para as 15 mil pessoas que a organização, uma parceria entre a Câmara Municipal do Porto e a Sagres, calculou ter beneficiado da entrada livre do evento, que começou às 16 horas de sábado e entrou pela madrugada de domingo.
Os cabeças-de-cartaz da noite - Expensive Soul, Táxi e Xutos & Pontapés, por esta ordem -, foram, como se esperava, os principais causadores da cheia humana. A noite amena, pedindo apenas um agasalho que nem foi vestido por muitos dos corpos rendidos ao ritmo do cartaz, terá fornecido mais um argumento a favor. Mas a borla da entrada foi decisiva para o ambiente familiar e menos especializado em termos de público que se viveu.
Famílias inteiras, com pais e filhos, muitas crianças, muitos grupos de adolescentes formaram uma audiência heterogénea à vista, mas sintonizada no usufruto da música, que arrancou às 16 horas, com actuações da Orquestra Ligeira do Exército e o Grupo de Jazz do Porto Sounds.
Fazendo as contas, valia a pena trocar a melancolia enevoada da calçada da Foz por um jantar nas mesas do recinto. Por cerca de sete euros, comia-se uma sande, tomava-se uma bebida, rematava-se com uma sobremesa de pipocas, algodão doce ou gelado e ainda sobrava para a aquisição de um cilindro colorido, vendido a um euro, que fez a alegria de muitas crianças durante os espectáculos. Os Expensive Soul, banda de Leça da Palmeira produtora de um hip hop colorido e de fácil empatia em ascensão de carreira, arrancou a noite. E foi uma sacudidela enérgica. Os adolescentes que preencheram a multidão da frente não deixaram os Expensive Soul ficar mal, mas os dois êxitos mais badalados na rádio, "Eu não sei" e "Brilho", foram as maiores pílulas do entusiasmo. E foi num desses momentos - haveria mais - em que a configuração do espaço se revelou certeira para o fim daquela noite.
A circulação era fluída e facilmente se descia do topo da colina, de onde se avistava o lago que reflectia a luz do enorme balão vermelho promocional, até à borda do palco para apreender mais detalhes do que os fornecidos pelos dois ecrãs, um de cada lado da estrutura em concha. Para cansaços, ali estava a relva. E sentado nela conseguia-se razoável visibilidade.