a antiga casa de lavoura do século XVIII povoada de memórias e marcas do núcleo rural de Aldoar, começou a ser construído um condomínio fechado. Ao pé fica o Parque da Cidade do Porto. "O prédio tem excessiva volumetria e não corresponde à tipologia habitacional envolvente", criticou o arquitecto Manuel Correia Fernandes, catedrático da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP). A Câmara considera a obra "em conformidade com as leis em vigor".
Chega-se ao gaveto da Rua da Vilarinha com o Beco das Carreiras, junto à entrada nascente do parque, e facilmente se observa a construção de um edifício com três pisos, mais recuado. Segundo Manuel Correia Fernandes, o imóvel tem uma "escala desajustada e cria discrepâncias com a paisagem envolvente".
Em declarações ao JN, o catedrático da FAUP não pouca crítica à autorização camarária "Não há conformidade tipológica. O Beco das Carreiras tem um carácter bastante rural e o prédio quebra a escala da construção daquela zona. O edifício tem uma volumetria especulativa", afirmou.
Os moradores da zona olham e questionam o impacto visual do edifício "É inadmissível o que está a acontecer. A antiga casa fazia parte de um conjunto. Já deitaram abaixo as colunas. A frontaria ainda está de pé. Não sei por quanto tempo", revolta-se Francisco Braamcamp Figueiredo, morador na Rua de António Aroso, que, "desgostoso", resolveu escrever uma carta a Rui Rio, presidente da Câmara do Porto.
"Apercebi-me disto [leia-se demolição da casa rural] antes de ir para férias. Ainda tentei falar para a Câmara, mas não ligaram ao assunto. Quando regressei a casa, já a obra estava em grande altura. Só tive uma solução escrever e denunciar a situação",disse.