Cerca de dez horas consecutivas de cultura hip hop - concertos, deejaying, breakdance, graffiti, skating e um filme - marcam, hoje, a partir da 15.30 horas, a 2ª edição do festival HIPHOPORTO da Casa da Música (CM), no Porto. A continuidade do evento estreado em 2005 vem colmatar a falta de investimento em ciclos dedicados ao género em Portugal, sendo que, actualmente - e considerando ainda a edição desviante deste ano do Festival de Carviçais -, apenas o website www.h2tuga.net (comunidade atenta ao hip hop nacional) organiza um certame anual que já vai na 3ª edição.
Na perspectiva de Rui Miguel Abreu, editor da Loop Recordings, "faz todo o sentido que o hip hop tenha um festival, tal como há de jazz, clássica ou músicas do mundo. É um género tão válido como qualquer outro".
Mas, quando a CM criou o HIPHOPORTO, não tinha esta lacuna em mente. A programadora do evento, Filipa Leite, explica que "o evento nasceu não para colmatar a falta de festivais do género", mas para contornar uma outra lacuna. "O festival dirige-se a um público-alvo com idades compreendidas entre os 14 e os 18 anos, porque é um público que nem sempre vem aos concertos educativos". A CM pretendia atingir esse público e a coincidência "aconteceu".
De Gaia a Quarteira
Como sublinha Filipa Leite, esta foi a resposta da fundação portuense ao lema "todas as músicas, todos os públicos". Mas, para Rui Miguel Abreu, esta acção acaba por reflectir "a percepção de que esta geração de hip hop tem talento e profissionalismo e merece ter espaço". Aliás, "o crescimento da criação musical nacional tem-se verificado, sobretudo, no hip hop", acrescenta a programadora da CM.