A"situação económica difícil" está a paralisar a actividade do Centro Regional de Artes Tradicionais (CRAT), com sede no Porto. Os salários em atraso e a dispensa de três funcionários são alguns sintomas da crise. Entretanto, o Executivo da Câmara do Porto analisa, hoje, uma proposta tendente a atenuar as dívidas que, em Janeiro, ascendiam a cerca de 400 mil euros, e propõe renunciar aos lugares nos órgãos sociais.
Um problema de raiz e de concepção será, talvez, a razão da prolongada crise do CRAT, uma instituição sediada na Rua da Reboleira e que ao longo da sua existência levou a efeito uma série de trabalhos, investigações e exposições de grande importância artística e patrimonial.
Tendo como associados fundadores a Câmara do Porto, Delegação do Norte do Ministério da Cultura e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Norte, o organismo nunca teve vida fácil, mas as dificuldades foram atenuadas devido às verbas dos fundos comunitários. Porém, nunca foram acauteladas as despesas de funcionamento e dotação orçamental para o seu regular funcionamento. A perversão começa aqui, tendo a equipa do CRAT feito os impossíveis para manter a estrutura em funcionamento.
"As dívidas reportadas a 26 de Janeiro perfaziam o montante de 378876, 42 euros, sendo relativas a pagamentos a bancos, fornecedores de programas comunitários, impostos e salários em atraso", lê-se no documento a ser levado à Câmara, e ao qual o JN teve acesso.
Vivendo nos últimos anos com problemas de tesouraria, devido ao facto dos parceiros institucionais nem sempre terem cumprido com as suas obrigações , a Câmara vê-se, agora, obrigada a tentar sanear financeiramente a instituição.