A Câmara Municipal do Porto vai deixar os órgãos sociais do Centro Regional de Artes Tradicionais (CRAT), na Rua da Reboleira (Porto). Este organismo passa por grandes dificuldades financeira, que já levou à dispensa de três funcionários. O vereador da Cultura, Fernando Almeida, defendeu, ontem de manhã na reunião do Executivo, que a autarquia se mantenha como associado do CRAT sem responsabilidades de liderança, financiando uma parte das actividades.
"Não posso ser árbitro e ser simultaneamente parte do processo. Não posso estar nos financiamentos e, ao mesmo tempo, estar no controlo [do CRAT]. A Câmara do Porto e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte mantém-se como associados. Teremos uma quota e iremos pagar", sustentou Fernando Almeida. O valor não está definido, mas o autarca adianta que o Município pagará menos do que paga agora. Actualmente, dá 100 mil euros anuais.
No entanto, os vereadores da Oposição são desfavoráveis à saída da autarquia, estando em desacordo com a mudança do modelo institucional. O vereador comunista, Rui Sá, entende que o Município está a precipitar-se. "Devíamos fazer um acompanhamento da refundação do CRAT, antes de deixá-lo", defendeu o autarca da CDU, convencido de que, neste momento, o projecto ainda não está sustentado.
Também o socialista Miguel Von Hafe critica a saída da autarquia dos órgãos sociais do centro de artes. "A Câmara está a seguir uma senda necrológica", acusa. Para Fernando Almeida, não se trata do "abandono do filho. É a figura do filho pródigo. O CRAT foi abandonado e agora está a ser recuperado", acrescenta, destacando a liberdade do organismo para procurar mais associados que possam contribuir para sustentar a sua actividade.
No entanto, o vereador do PS, Manuel Pizarro, teme que a situação leve à falência da "única estrutura cultural pública com sede no casco histórico". O modelo de gestão foi viabilizado com os votos favoráveis do PSD/PP. O PS e a CDU votaram contra.