C inco meses depois de ter arrancado a emissão do primeiro canal regional da Área Metropolitana do Porto - o Invicta TV, difundido diariamente por cabo, a partir do operador TV Tel, das 19 horas à uma da manhã -, Vítor Fernandes, administrador da estação, é acusado de burlar fornecedores e colaboradores que, por falta de pagamento dos serviços, acabaram por se afastar do projecto.
O empresário de 29 anos tem quatro processos em tribunal e uma queixa na polícia. A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), depois de ter recebido uma denúncia, iniciou também uma operação de fiscalização, tendo, actualmente, "fortes indícios de actividade televisiva ilegal" (ler caixa).
"Vítor Fernandes quis criar um canal com investimento zero", acusa José Miranda, da Mixim, produtora de televisão e cinema, desapontado por ter acreditado num projecto que "não passa de um canal ilegal". O produtor, que tinha a promessa de vir a ser director de programação da estação, prestou serviços gratuitos à Invicta durante oito meses, tendo depois contratado a empresa de design Comunicação, para tratar da imagem do canal. O serviço, que custou três mil euros, nunca foi pago. "Depois de ter, em vão, insistido no pagamento, percebi que nada daquilo é real. Ele não tem capital e vi-me obrigado a meter uma acção em tribunal".
O mesmo, apurou o JN, sucedeu à Linha de Terra, empresa nacional de produção de filmes e animação gráfica, a quem foi adjudicado o grafismo do canal genéricos e separadores de programas. A requisição, no valor de sete mil euros, nunca foi paga. A cobrança da dívida também foi remetida para tribunal.
Uma terceira empresa, a Aquafilmes, que cedia material de filmagem e operadores de câmara, colocou uma acção judicial referente a uma dívida que ultrapassa os 20 mil euros. Nelson Rocha, um dos operadores, continua com salários em atraso. "Cheguei a fazer dois mil quilómetros por mês no meu carro. Despedi-me em Julho, altura em que nem o administrador me pagava, nem eu tinha sequer dinheiro para a gasolina. Andava a pagar para trabalhar".