Na véspera de terminar o prazo para a entrega das candidaturas à gestão financeira e cultural do Teatro Municipal Rivoli, no Porto, constituiu-se um movimento de cidadãos da cidade, empenhado em apresentar ao presidente da Câmara, Rui Rio, uma proposta alternativa, que não prescinde da função de serviço público daquele equipamento, contrariando a lógica comercial sugerida pela autarquia em Julho.
O movimento "Juntos no Rivoli" surge na sequência de um abaixo-assinado homónimo, que somava, até ontem, 9439 assinaturas, continuando disponível na Internet , em http//www.juntosnorivoli.com.
"Há um grupo de pessoas preocupadas com o que está a acontecer no Porto, que está a constituir um observatório, cujo objectivo será, numa primeira fase, recusar a opção de Rui Rio de entregar aos privados um teatro que foi pago e recuperado com dinheiro público, nomeadamente, de fundos europeus", afirma Ricardo Pereira, do grupo de teatro "Palmilha Dentada", um dos mentores da contestação. "Apresentaremos uma proposta alternativa, que rejeita a lógica do lucro e que responsabiliza a Câmara pelo espaço, uma vez que não pode demitir-se dele".
Simultaneamente, estão a ser organizadas jornadas de reflexão sobre a "situação de uma cidade que, desde 2001, está a perder espaço e qualidade de vida, sendo o Rivoli, apenas, o lado mais mediático dessa decadência". O Teatro Campo Alegre e o Centro Regional de Artes Tradicionais (CRAT) estarão também no centro da discussão.
Manuel Leitão, produtor de espectáculos que também integra o movimento, confrontado com a eventual solução a apresentar para a realização de verba que a Câmara argumenta não ter para investir no Rivoli, o que terá justificado a decisão de o concessionar, respondeu não ter a certeza de que a autarquia não possua, de facto, orçamento. "Não sei se há realmente falta de dinheiro; mas sei que não há falta de dinheiro para as opções particulares de Rui Rio". E citou a controversa corrida de automóveis, realizada na Avenida da Boavista em Julho do ano passado. "Não me digam que isso é mais importante para uma cidade do que a sua vida cultural", sublinhou.