á duas sociedades interessadas na recuperação e na exploração do mercado do Bolhão, no Porto. As empresas Aplicação Urbana XVII - Investimento Imobiliária, ligada ao grupo Amorim, e TramCroNe - Promoções e Projectos Imobiliários, ligada ao grupo TCN, foram as únicas a apresentar propostas no concurso público, lançado no passado dia 16 de Junho pela Porto Vivo, embora o processo tenha sido consultado por mais de uma dezena de promotores.
Cerca de 30 milhões de euros é o valor que a sociedade portuguesa e holandesa TramCroNe propõe investir no Bolhão, no centro da Baixa. A empresa sugere a manutenção do mercado de produtos frescos, juntando-lhe as funcionalidades de um centro comercial e habitação. A reconversão do edifício em avançado estado de degradação para acolher o projecto da sociedade obrigaria à realização de obras durante dois anos e meio a três anos.
"Esta operação é pioneira em Portugal. A maior parte dos mercados ainda estão por reabilitar. Neste caso, queremos garantir a função de mercado de produtos frescos . É necessária e as pessoas gostam. Espero que volte a ser moda comprar fruta, produtos frescos e flores no mercado", sublinha Pedro Neves, da sociedade TramCroNe, explicando que, na proposta, é sugerida a transformação da Rua de Alexandre Braga numa artéria pedonal com esplanadas. Durante a intervenção no Bolhão, os vendedores poderiam ser instalados no exterior do edifício nessa rua.
Feita a reconversão do espaço, os comerciantes regressariam ao mercado, instalando-se no piso superior associado à praça de restauração. No terrado (piso térreo), a sociedade propõe a instalação da componente de centro comercial com lojas diversificadas, nomeadamente moda, electrodomésticos e supermercado. Apesar de ser uma obra cara, a empresa aponta para a construção de um parque de estacionamento por baixo do edifício. "E, na zona das águas furtadas, criar habitação", enuncia Pedro Neves, convencido de que o prazo máximo de 50 anos de concessão do direito de superfície permitirá fazer obra e rentabilizar o investimento através da exploração do estacionamento, dos espaços comerciais e da habitação.
Não se conhecem, no entanto, pormenores sobre a proposta da sociedade Aplicação Urbana. É que a sessão de abertura das propostas, que decorreu ontem de manhã na sede da Porto Vivo, ficou suspensa. Ambos os concorrentes foram aceites, mas a falta de alguns documentos no processo da TramCroNe levou o presidente da comissão de abertura, Rui Quelhas (administrador da Porto Vivo), a agendar a continuação do acto para segunda-feira.