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Despachos contrários do IPPARbaralham dossiê da Kasa da Praia

Publicado

Carla Sofia Luz
 

ACâmara do Porto deu conta, em Agosto deste ano, da intenção de arquivar o processo da Kasa da Praia ao promotor (RM Hotelaria e Similares). O processo está parado há cerca de um ano e meio desde que foi emitido o parecer negativo pela direcção regional do Porto do Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR). Só que a decisão já foi alterada pela Direcção Nacional do IPPAR, que, em Agosto de 2005, deu aval ao projecto do arquitecto Filipe Oliveira Dias para o edifício do antigo Colégio Internacional do Porto, na frente do Parque do Cidade. Mas, apesar de ter passado um ano, o IPPAR nunca informou a Autarquia.

O parecer favorável nunca foi enviado ao Município. Só ontem é que o arquitecto Filipe Oliveira Dias teve conhecimento da situação e remeteu uma cópia do documento para a Câmara. E assim travar o arquivamento do processo. "O IPPAR nacional aprovou e não enviou para a Câmara do Porto", explicou, ao JN, Filipe Oliveira Dias, que esperava, há bastante tempo, pela decisão final da Autarquia. Como a última informação conhecida pelo Município era o chumbo do IPPAR (datado de 2004) e desconhecendo outras evoluções, os serviços do Urbanismo decidiram notificar o promotor da intenção de arquivamento do processo da Kasa da Praia.

"Depois do parecer negativo do IPPAR, os requerentes nunca mais vieram ao processo. Por isso, no dia 10 de Agosto de 2006, foram notificados da intenção de arquivamento e tinham 10 dias úteis para contestar. Nunca deram qualquer indicação", explicou Lino Ferreira, vereador do Urbanismo da Câmara do Porto. Com a situação esclarecida, o arquitecto mantém a expectativa de que seja dada a aprovação final a um projecto que liberta a cidade de um edifício em ruínas. " Paulo Dâmaso [administrador do Grupo K, a que está ligada a empresa RM Hotelaria e Similares] quer reimpulsionar a Kasa da Praia. É um projecto interessante, porque reabilita o essencial do edifício, dando-lhe uma nova vida. Tem um programa de apoio ao Parque da Cidade, com funções de restauração e de bar dançante", sublinha Filipe Oliveira Dias, realçando a grande visibilidade do imóvel, concessionado pela Porto 2001, numa zona onde escasseiam equipamentos.

De facto, Paulo Dâmaso reconhece que este processo tem sofrido alguns "sobressaltos". No entanto, reafirma a vontade de investir no Porto. "Nunca colocámos outro cenário que não fosse o do investimento. É a melhor localização da cidade", assinala o responsável. Paulo Dâmaso acredita que, caso a Autarquia consiga aprovar o projecto até ao final do ano, terá condições para avançar com a obra no início do próximo ano. "Serão precisos cerca de nove meses até poder abrir as portas", indica, estimando que possa acontecer até ao final de Setembro do próximo ano.

Quanto ao contrato de concessão celebrado pela Porto 2001 que concede 20 anos de exploração ( o edifício pertence, agora, à Câmara), Paulo Dâmaso entende que terá de ser renegociado.

 
 










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