Metade dos comandos da PSP poderão desaparecer, a ser aceite pelo Ministério da Administração Interna a proposta de reestruturação das forças de segurança, no âmbito do estudo nesse sentido encomendado à empresa de consultoria Accenture.
O jornal "Público" dava conta ontem de que o estudo em causa apontava para o fim das brigadas de Trânsito e Fiscal, assim como das quatro brigadas territoriais - Évora, Lisboa, Coimbra e Porto -, na GNR, mas o JN sabe que a abordagem abrangeu igualmente a reestruturação da PSP, com a proposta da fusão de vários comandos, à semelhança do que acontece com a GNR.
Com efeito, actualmente existem 12 comandos da PSP disseminados por todo o país, mas o estudo da empresa contratada pelo MAI propõe a concentração em apenas quatro comandos de polícia "do Alentejo", "das Beiras", "de Trás-os-Montes" e "do Minho", além dos de Lisboa e Porto, que ficarão inalteráveis, baixando as actuais estruturas para o escalão Divisão. O estudo, que tem por título "Estudo de Racionalização de Estruturas da GNR e da PSP" e tem 206 páginas, propõe também alterações similares no Comando dos Açores.
De acordo com o documento a que o JN teve acesso, os "comandos de polícia actuais deverão ser convertidos em divisões". O estudo justifica a medida tendo em conta que se assiste a uma "elevada disparidade na abrangência e dimensão de unidades operacionais da PSP com igual estatuto, verificando-se a existência de comandos de polícia de dimensão muito reduzida". O estudo dá como exemplo a Divisão da Amadora, que "tem aproximadamente o triplo do efectivo humano dos (actuais) comandos de Beja, Évora ou Portalegre, entre outros".
Como consequência, "esta situação evidencia, dentro da própria estrutura da PSP, um desequilíbrio gritante de dimensão relativa de órgãos cujas responsabilidades operacionais e institucionais deveriam ser, à partida, tendencialmente uniformes. Criam também situações de replicação desadequada de estruturas" e a alteração "permitirá (...) melhorar a actual coordenação e acção operacional - no fundo críticas similares à proposta que sustenta o fim da estrutura de comando das brigadas na GNR. O estudo alega ainda a obtenção de "ganho financeiro - ainda que acessório e pouco significativo" -, calculando "poupanças" "em cerca de 40 mil euros/ano".