Por vezes, a crónica não resiste ao chamamento da política, como é o caso, a propósito das declarações de Francisco Assis, deputado europeu e vereador do PS na Câmara do Porto, abrindo a porta a uma plataforma de esquerda, a mais de dois anos das próximas autárquicas, para derrubar Rui Rio e a sua maioria.
O assunto tem a ver com a cidade e o modo de a governar, daí o interesse do "desabafo tardio ou mea culpa" de Assis, aliás extemporâneo, na forma e na substância. Ninguém pensa, neste momento, no assunto, está é expectante, na esperança de ver Francisco Assis capitanear uma frente de oposição na Câmara, o que não tem acontecido. Sem isso, tudo o que diga ou proponha, não passa de retórica, fora de tempo e pouco credível.
E comecemos pela questão está hoje a Câmara a governar bem a cidade? É o dr. Rui Rio o presidente adequado para inverter o declínio que se apoderou dela?
Cada um responde de sua justiça, mas uma coisa é certa os portuenses, se estão desencantados com a sua Câmara e em verdade muitos estão, metem no mesmo saco poder e oposição, pois tirando "uns fogachos" do eng.º Rui Sá, aliás sem "poder de fogo" representativo, nada mais acontece de substancial.
Ou seja, há o Plano da Baixa que se mantém "emperrado", o Rivoli que vai mudar de "gerência", os bairros que estão na mesma, o Bolhão que poucos sabem onde vai desaguar e, sobre isto e muito mais, que estratégias alternativas fundamentadas e consistentes tem o PS/Porto, ou tem divulgado o seu líder na vereação portuense?