Os portugueses estão a recorrer cada vez mais às viagens em companhias aéreas de baixo custo ("low cost"). Só no aeroporto Francisco Sá Carneiro, as autoridades aeroportuárias prevêem que a quota de passageiros das "low cost" no tráfego total duplique este ano, face a 2005. Em Lisboa, a ANA prevê que a quota suba dos 6% registados em 2005 para 10%, enquanto em Faro, onde aquelas companhias têm maior expressão, deverá passar de 48 para 55%. Os responsáveis das principais "low cost" estimam que o crescimento se mantenha nos próximos dois anos.
A avaliar pelos números disponíveis, as previsões deverão cumprir-se. No aeroporto do Porto, os passageiros das "low cost" representaram 10,7% do total em 2005, uma quota que já ia em 18,8% (ou seja, 431,2 mil passageiros) até Agosto passado - ver infografia. Em Lisboa, tinham sido transportados em "low cost" 723,6 mil passageiros (8,8% do total) e, em Faro, a quota acumulada era de 53,1% até Agosto (1,9 milhões).
Espaço para crescer
Nesta altura, operam em Portugal 29 companhias de baixo custo e, ainda que o número de empresas possa não subir significativamente, o tráfego de passageiros deverá continuar a aumentar. "O potencial de crescimento é enorme", defende Tim Jeans, director da Monarch, que voa diariamente de Faro e Lisboa para Londres (Gatwick e Luton) e de Faro também para Manchester e Birmingham.
O mercado nacional - que neste segmento tem crescido 23% ao ano, o dobro do francês e mais 50% do que o espanhol - só não cresce mais por "constrangimentos aeroportuários", sobretudo em Faro e em Lisboa, onde a Monarch "quer expandir operações" e pede "um terminal para low cost", explica.