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Expandir a Linha da Boavista a Gondomar e Leça da Palmeira

Publicado

Carla Sofia Luz
 

A expansão da futura Linha da Boavista a Leça da Palmeira e ao concelho de Gondomar voltou a ser discutida. Desta vez, a hipótese foi apontada ontem de manhã na reunião da Junta Metropolitana do Porto, onde os especialistas Álvaro Costa e Paulo Pinho expuseram as principais conclusões dos estudos, realizados este ano, sobre o futuro da rede do metro. Na discussão, foi enunciada a possibilidade daquela ligação se estender até à estação do Marquês, cruzando com a actual Linha Amarela.

Ambos os estudos (o de Álvaro Costa foi encomendado pelo Governo e de Paulo Pinho foi pedido pela Metro) sublinham a necessidade de explorar as possibilidades de amarração da projectada ligação à Boavista e a Matosinhos Sul à Linha Amarela. No Quadro de Reflexão sobre o Futuro do Metro do Porto, assinado pela equipa de Álvaro Costa, sugere-se ao Governo que o traçado possa ser estendido a uma destas três estações Marquês, Pólo Universitário e S. Bento. Ontem, a ligação enterrada a partir da Casa da Música até à estação subterrânea do Marquês surgiu como a hipótese mais provável. Daí, poderia seguir rumo a Gondomar.

A sessão, que contou com a participação da Comissão Executiva da Empresa do Metro, foi apenas informativa. As decisões políticas ficam adiadas para outro encontro, ainda sem data marcada. Não é certo que o tema do metro regresse já na próxima reunião da Junta, que se realizará no dia 27 deste mês. Também se falou da linha para Gondomar, considerada prioritária. No entanto, não foi decidido qual o traçado a ser implementado. Aliás, os dois estudos defendem a execução parcial daquela linha até Rio Tinto. A reflexão, encomendada pelo Governo e realizada pela equipa liderada por Álvaro Costa, realça que existem condições para fazer já a obra até à estação de Lourinha. O outro estudo, intitulado Estratégia Empresarial Integrada da Metro do Porto, recomenda que se avance com a construção da linha até Venda Nova, estudando em simultâneo outras hipóteses de ligação entre Porto e Gondomar, a partir do Campo 24 de Agosto ou Heroísmo.

A questão do financiamento da empresa esteve também em cima da mesa. Em particular o "défice" de apoio financeiro a fundo perdido. No fim deste ano, calcula-se que o apoio a fundo perdido ao projecto seja de 26%. O que é considerado insuficiente. Se não for corrigido, poderá conduzir a aumentos substanciais do preço dos bilhetes.

Ainda que se abrace o modelo de "project finance" para construção e exploração de novas linhas, os autarcas e os especialistas entendem que terá sempre de existir uma componente forte de apoio a fundo perdido com verbas da União Europeia e da Administração Central. Embora alguns projectos do metro de Lisboa recebam verbas a fundo perdido de 80%, estima-se que a média europeia no sector dos transportes seja entre 50 a 60%. Valores indispensáveis para evitar o aumento de passivo na Empresa do Metro do Porto.

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