A galeria da Praça de Lisboa (o extinto Clérigos Shopping) será requalificada e explorada por privados. A Câmara portuense defende a criação de um "espaço comercial que potencie a componente cultural e de lazer" e com horário alargado, exigindo a reserva de uma área de, pelo menos, 500 metros quadrados para a instalação das valências do Pólo Zero da Federação Académica do Porto.
Seguindo o modelo aplicado ao Mercado do Bolhão, a Porto Vivo - Sociedade de Requalificação Urbana (SRU) lançará um concurso público para a concepção, projecto, manutenção e exploração da galeria da Praça de Lisboa, admitindo que a cedência do direito de superfície daquele equipamento ao futuro concessionário possa chegar aos 50 anos. Antes, porém, terá de merecer o aval do Executivo. A proposta será submetida, na próxima terça-feira, à apreciação da vereação durante a reunião de Câmara.
"Lifestyle jovem"
O concessionário poderá mexer no aspecto da galeria com cerca de 20 estabelecimentos desertos e cujas utilizações, desde a extinção do mercado do Anjo, redundaram em fracasso. "Valorizar-se-á um equipamento que possibilite a realização de exposições, de espectáculos, apresentações e actividades de divulgação, provenientes dos meios académicos da cidade e da sua envolvente empresarial, bem como o facto de possuir espaços de livraria, de cafetaria, salas de leitura", como pode ler-se na proposta municipal, assinada pelo vereador do Urbanismo, Lino Ferreira.
O conceito, defendido pela autarquia, passa pela criação de um espaço de compras, "associado a um lifestyle jovem", onde se facilite o acesso à Internet. O público alvo é "jovem, urbano e cosmopolita". Para trazer vida nocturna à zona dos Clérigos, o Município dará preferência às propostas com horário de funcionamento alargado. No programa do concurso público, a lançar pela SRU, a autarquia admite que aquele espaço comercial possa funcionar num "horário 24/24" e sem dias de descanso.