O agendamento de uma reunião extraordinária da Câmara do Porto para hoje gerou, ontem de manhã, uma discussão entre o presidente da autarquia, Rui Rio, e o líder dos veredores socialistas, Francisco Assis, durante a sessão do Executivo. O autarca do PS não gostou da forma como Rio respondeu à crítica, feita pelo socialista, quanto à escolha do dia para debater o Porto Feliz e o futuro do Bairro do Leal, uma vez que é conhecida a sua indisponibilidade de agenda para participar no encontro. A discussão azedou e o socialista ameaçou abandonar a sala.
O incidente aconteceu nos momentos iniciais da sessão do Executivo de ontem. Confrontado com o agendamento para hoje à tarde (18.30 horas) da reunião extraordinária para discutir os resultados do Porto Feliz e o futuro do Bairro do Leal (debate que tinha sido pedido pelo PS e, no caso do Bairro do Leal, também pela CDU), Francisco Assis condenou a escolha da data, feita por Rui Rio, sem uma consulta prévia aos vereadores.
"Há quatro meses, solicitei uma reunião extraordinária para discutir o Porto Feliz. Finalmente, o presidente marcou-a ontem [anteontem] para amanhã [hoje] às 18.30 horas, sabendo de antemão que, às quartas-feiras, tenho compromissos em Bruxelas enquanto deputado europeu", assinalou Francisco Assis, no final da sessão, realçando que também o "número dois", Manuel Pizarro, não poderá estar presente por causa do debate do Orçamento de Estado para 2007.
"Rui Rio respondeu de forma desabrida e totalmente mal educada. É um mau caminho e que não serve os interesses da população", adiantou Assis, garantindo que colocou a hipótese de abandonar a reunião. A data não foi alterada.
Após a sessão, Rui Rio referiu-se ao episódio e destacou a dificuldade em encontrar um dia em fosse possível reunir os três técnicos responsáveis pelo Porto Feliz. "Há três pessoas na coordenação técnica e científica do Porto Feliz, que não ganham um tostão. Foi-lhes pedido para vir ao Executivo e, ainda por cima, tem que ser no dia em que Francisco Assis e Manuel Pizarro estejam disponíveis e não tenham compromissos. Acho que passamos todos os limites", critica o autarca, apontando para a falta de participação dos dois vereadores nas sessões municipais.