A Câmara do Porto indeferiu um pedido de licença pontual para que o Teatro Art'Imagem realizasse um espectáculo na sala que detém na Rua da Picaria. O grupo contesta o parecer do gabinete de ruídos do pelouro do Ambiente, insinuando tratar-se de uma "perseguição" pela intenção anunciada de processar a autarquia por não pagamento de um subsídio. Mas a directora municipal, Ana Teixeira, disse, ontem, ao JN, que o grupo "sabia muito bem" de que nada serviria recorrer àquela figura legal, uma vez que ainda aguarda pelo licenciamento do espaço e há reclamações da vizinhança.
Ao JN, o director do Teatro Art'Imagem, José Leitão, disse que os serviços municipais apenas ontem confirmaram o indeferimento, dada a insistência do grupo que os contactou telefonicamente. Criticando a falta de resposta em tempo útil (a peça estava prevista para o passado dia 1), diz que tentou falar com a directora municipal do Ambiente, até para não haver dúvidas sobre se "foi um caso técnico e não político, ou mesmo de perseguição". E estranha também que não lhes tenham sido facultados suportes para colocarem os seus cartazes.
O grupo já fez saber que pretende processar a Câmara por incumprimento contratual, assunto que será abordado hoje numa reunião com o vereador da Cultura, Fernando Almeida.
Foi a primeira vez que o Art'Imagem pediu uma licença acidental de recinto que permitiria estrear a peça "Homem sem Cara", agora marcada para sábado no Teatro Sá da Bandeira. A divisão de recintos e feiras e os bombeiros deram parecer favorável ao pedido de 2 de Outubro, mas não a divisão de ruídos. O armazém que o Art'Imagem quer transformar em sala de espectáculos aguarda há três anos pelo licenciamento de utilização, que obriga a vários requisitos, nomeadamente em matéria de ruído. Tem de ficar demonstrado que não há incómodo para os vizinhos e já houve reclamações para a autarquia. José Leitão diz que "não podem ficar reféns" de um morador, aludindo ao vizinho que não autoriza os serviços a fazer medições na sua casa.
Questionado sobre por que pediu, desta vez, uma licença provisória, argumentou que "o espectátulo em causa seria mesmo para aquele espaço" e que o processo de licenciamento encontra-se na "etapa final". O facto de terem convidado a ministra da Cultura e vereadores também levou o grupo a não arriscar.