U ma acção popular apresentada, ontem, no Tribunal Administrativo e Fiscal de Coimbra, vai tentar travar, mais uma vez, o processo de co-incineração de resíduos industriais perigosos em Souselas. Entre os autores da acção, à qual a população pode aderir numa fase posterior, estão nomes como o presidente da Assembleia Municipal de Coimbra, Manuel Lopes Porto, ou o director do Serviço de Cirurgia Cardiotorácica dos Hospitais da Universidade de Coimbra, Manuel Antunes, entre outros. Mas, segundo o advogado Castanheira Barros, outro dos autores, esta acção popular conta também com a "solidariedade" de Manuel Alegre e de Vital Moreira.
Foram apresentadas dez testemunhas, na sua maioria cientistas, para tentar demonstrar como "a co-incineração é perniciosa para a saúde pública". Um dos investigadores a ser ouvido será o ex-reitor da Universidade de Coimbra, Fernando Rebelo, co-autor de um estudo onde se conclui que as condições geográficas de Coimbra "potenciam a concentração das substâncias poluentes, sobretudo durante a noite e a madrugada".
A acção pretende impugnar em concreto o despacho que isenta a Cimpor da avaliação de impacto ambiental, por se entender que este se baseia "em pressupostos errados", nomeadamente que "a comissão de avaliação terá concluído que não existiam riscos para o ambiente e para a saúde pública, o que é falso".
No momento da entrega da acção esteve também presente Fernanda Rodrigues, do Movimento de Cidadãos pela Arrábida, que apelou às pessoas de Setúbal, Sesimbra e Palmela que "se aliem à população de Coimbra e de Souselas, porque todos juntos vamos fazer ver ao Governo que está a seguir uma política errada".