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cerco ao sigilo profissional do jornalista tem vindo a ficar cada vez mais apertado, no entender de Helena de Sousa Freitas. "Nos últimos anos, há um aumento de pressão para quebrar o sigilo", afirma. O agravamento regista-se não só nos Estados Unidos, sob a justificação das leis vigorosas que sucederam ao 11 de Setembro, mas também na Europa, explicou ontem, ao JN, a autora do livro "Sigilo profissional em risco - Análise dos casos de Manso Preto e outros jornalistas no bancos do réus", que hoje é apresentado, em Lisboa.
A questão de obrigar o jornalista a revelar fontes ou outra informação confidencial, ou seja, quebrar o sigilo profissional, reside num equívoco de base, segundo explica Helena de Sousa Freitas. "Continua a tratar-se o sigilo profissional como um privilégio de classe, quando este serve é para proteger o direito do público à informação". Sem o compromisso de confidencialidade, a maior parte das notícias na área da justiça e da política, "não se tornariam públicas". É também a maneira de proteger as fontes que podem "correr o risco de despedimento, ou de receberem retaliações", explica ainda.
No caso de Manso Preto, em que o jornalista enquanto testemunha se recusou a revelar o nome de uma fonte, Helena Freitas questiona se não haveria outra maneira de obter a informação, já que a pesquisa que realizou lhe deu a perceber que as coordenadas fornecidas seriam suficientes para chegar à pessoa visada. "Não sei até que ponto este caso não serviu um pouco como braço-de-ferro do poder judicial".
Claro para si é que situações como esta "transformam os jornalistas em auxiliares do poder judicial", o que não faz sentido no seu ponto de vista. A investigadora e também jornalista da agência Lusa, onde está desde 1998, realça que esse papel atribuído ao jornalista "poupa um bocado de tempo aos tribunais". Mas, por outro lado, defende, "o compromisso do jornalista é outro, é para com o público, não deve ter a ver com os tribunais".