O líder do PSD/Porto, Pedro Duarte, e restante Comissão Política da secção apresentaram, ontem, em plenário de militantes, a sua demissão. Sem recuar nas críticas que o líder fez a Rui Rio em entrevista ao JN, os dirigentes demissionários defenderam que não confundem "lealdade com ausência de sentido crítico".
Pedro Duarte, que desde a entrevista tem falado diversas vezes com Rui Rio, mantém tudo o que disse, incluindo as críticas ao clima de hostilidade e ao corte dos subsídios pecuniários, mas garante que sai porque quer, sem arrependimentos, pressões ou rupturas no partido. Justifica a demissão dizendo que as suas posições foram mal interpretadas e que se criou a ideia de que há quebra de confiança política à Câmara. O JN sabe que Pedro Duarte falou com Rio antes de anunciar a demissão. Entretanto, há informações de que será publicada amanhã uma entrevista do presidente da Câmara, onde o tema deverá ser abordado, apesar de já ter sido marcada antes da entrevista de Pedro Duarte.
As referências do líder concelhio à má interpretação não deverão limitar-se à oposição mas também ao comentário de membros da coligação, que criticaram a forma como transmitiu a sua opinião, pela comunicação social. "A percepção pública de que se vive um clima de divergência entre o PSD da cidade e a sua Câmara, ou mesmo, como chegou a ser sugerido, de uma hipotética quebra de apoio e confiança política ao Executivo, é absolutamente insustentável para esta Comissão Política", refere a estrutura, que reuniu na véspera. E acrescenta "Nunca foi essa a nossa intenção, mas lamentamos profundamente que nem todos o tenham sabido ou podido interpretar".
Justificando a demissão, os membros da Comissão Política dizem que "jamais" estariam "disponíveis para servir as oposições, nomeadamente, sendo um foco de instabilidade ou perturbação". A estrutura destaca que, desde que foi eleita em 2005, sempre apoiou activamente o trabalho dos autarcas, "no cumprimento rigoroso" do programa eleitoral. E, "na mesma linha de orientação, sempre afirmou que esta atitude seria de exigência, na estrita medida em que não confundimos apoio com omissão, nem solidariedade activa com subordinação, nem lealdade com ausência de sentido crítico".
"De acordo com estes princípios, a Comissão Política entendeu que, um ano após a sua eleição, deveria assumir publicamente os seus pontos de vista", mesmo que em "determinados aspectos pontuais, pudesse existir discrepâncias". É nesse contexto que se enquadra a entrevista,explicaram.