Os custos da Saúde poderão subir. Jorge Simões, presidente da Comissão para a Sustentabilidade Financeira da Saúde, admitiu ontem que entre as propostas que serão apresentadas ao ministro da Saúde, em Março, poderá constar o aumento dos custos para os utentes.
O trabalho da comissão, que estuda modelos alternativos de financiamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS), ainda não está concluído, mas dez cenários já estão traçados e alguns deles "implicam aumento da despesa do cidadão", adiantou, ontem, Jorge Simões, à margem de uma conferência sobre as contas e financiamento do sector.
A comissão, sublinhou, explicará ao ministro da tutela as vantagens e desvantagens de cada um desses modelos alternativos sem manifestar "preferência" por qualquer um deles. E o ministro não terá que optar por um deles. As propostas poderão vir a contemplar "cenários combinados", permitindo ao Governo tomar uma decisão que resulte de "agregações virtuosas".
"O que é importante é passar para a sociedade a mensagem de que este problema [financiamento do SNS] não se resolve fechando-se os olhos ou esperando uma solução milagrosa", alertou Jorge Simões.
Coube a Pedro Pitta Barros, também membro da comissão para a sustentabilidade financeira do SNS, explicar os cenários possíveis. Isto, disse, tendo por base "a evidência de grande instabilidade financeira do SNS" que aponta para um problema de sustentabilidade a curto prazo. É por este facto, conjugado com o contínuo aumento da despesa pública, que se explica a inevitabilidade prática do aumento dos custos para os utentes.