Custava a acreditar, mesmo a quem tinha visto. Um automóvel ocupado por um casal de meia-idade residente na Guarda circulou, ontem de manhã, na linha do metro do Porto ao longo de cerca de um quilómetro, sem causar qualquer acidente. O perigoso percurso começou na Avenida da República (Gaia), com passagem pela ponte de Luís I e só terminou depois da estação de S. Bento (Porto). O desconhecimento da zona, com negligência à mistura por parte do condutor - um aposentado de 54 anos -, terão estado na origem da infracção. O homem terá alegado às autoridades desconhecer que a ponte estava reservada ao metro e, em declarações ao JN (ler peça ao lado), disse julgar que "havia uma saída".
O alerta surgiu pelas 6.50 horas, quando o sistema de videovigilância e os agentes de condução do metro detectaram um Renault 9 de modelo antigo a circular pelo meio dos carris. O condutor, ignorando a sinalização, seguira pelo tabuleiro superior da ponte de Luís I, acedendo depois ao túnel em direcção à estação de S. Bento. Enquanto que na travessia o veículo deslizou facilmente (os trilhos são "enterrados" no solo), o percurso subterrêneo revelou-se mais atribulado, pelo facto de os carris e as travessas estarem a um nível mais alto em relação ao piso. Mas nem esse pormenor impediu o casal de prosseguir viagem, apesar dos solavancos. Mais tarde, às autoridades, o homem disse que, de facto, tinha notado uns barulhos "estranhos".
Passada a estação de S. Bento, e ao deparar-se com uma subida, o automóvel - que circulava a baixa velocidade - terá perdido a tracção. Entretanto, um agente da 9ª Esquadra deu ordem de paragem ao automobilista. Este não acusou álcool no sangue, foi constituído arguido e saiu em liberdade, estando em causa um crime de atentado à segurança do transporte público.
Nas estações do metro, os passageiros estavam incrédulos. "Vi o carro a ser rebocado, mas é inacreditável. Como é que ele entrou no túnel?", questionava Joaquim Duarte. "É um espanto. Não há explicação", comentava António Simões. As indicações vindas dos altifalantes eram pouco esclarecedoras "Por motivos técnicos, a circulação está condicionada". Durante três horas, as composições apenas circulavam numa via.
Segundo adiantou, no local, fonte da Metro, foi a quinta vez que se deu uma infracção do género. A anterior tinha ocorrido às 20 horas de anteontem uma condutora com cerca de 50 anos circulou no tabuleiro superior da ponte, mas parou à entrada do túnel. Num dos outros casos registados, o condutor estava alcoolizado. A Metro sublinha que a Avenida da República tem "diversa sinalização, horizontal e vertical, de trânsito proibido e de canal reservado ao metro".