Existem centenas de casas vazias no Porto, realojamentos "provisórios" transformados em definitivos e milhares de euros pagos mensalmente pela Segurança Social aos donos das pensões. E há ainda dezenas de pessoas insatisfeitas com as condições de habitalidade dadas pelo senhorio e que fizeram questão de levar, anteontem à noite, os seus casos à Assembleia Municipal (ler peças em baixo).
Por uma noite, a situação das "famílias realojadas pela Segurança Social em pensões ou em partes de casa" dominou as atenções das diferentes bancadas partidárias. Rui Rio, presidente da Câmara, também interveio, mas percebeu-se que não estava ali para fazer muitas ondas. E descartou-se dizendo "O problema da habitação é nacional e já vem dos tempos de Salazar".
Numa reunião requerida pela CDU, foi o deputado Artur Ribeiro a puxar dos números "Só a Câmara deve ter mais de 500 casas devolutas e a Segurança Social paga, mensalmente, milhares de euros às pensões. É intolerável o que está a acontecer", afirmou.
Estava dado o mote para as consciências ficarem um pouquinho agitadas. José Teixeira, presidente da Junta da Sé, não perdeu tempo e revelou outros números "A Sé é a freguesia da cidade com mais pessoas a viver em pensões. Temos 14 famílias e a Segurança Social desembolsa mais de 3600 euros por mês", contou.
Num tema centrado no "drama humano e ao qual não podemos fugir", como referiu Justino Santos, ex- -vereador da Habitação nos tempos de Fernando Gomes, o deputado do PS deixou-se emocionar e puxou da memória para criticar o PSD "No meu tempo, quando os senhorios faziam despejos abusivos, a Câmara realojava as pessoas. Não compete à Segurança Social realojar as pessoas em pensões", lembrou.