Os terrenos na zona de Arca d'Água, cedidos ao Salgueiros pela Câmara do Porto para a construção do estádio, irão acolher apenas um empreendimento imobiliário de habitação e de comércio. O presidente da comissão administrativa do clube e sócio da FGVS - Sociedade Gestora de Imobliário, Carlos Abreu - que adquiriu, no início do ano e por três milhões de euros, um desses terrenos em propriedade plena e o direito de construir nas outras duas parcelas -, afirma que tem a garantia municipal de que o pedido de informação prévia (PIP), autorizado por Nuno Cardoso em Julho de 1999, pode ser reformulado. O novo projecto não terá complexo desportivo nem estádio, reduzindo-se a capacidade construtiva no local.
Carlos Abreu diz que a FGVS só comprou o terreno, porque a Câmara assegurou-lhe que não colocaria qualquer obstáculo a este processo. "O negócio foi do perfeito conhecimento da Câmara. O que nos foi dito é que haveria total e absoluto respeito pelos compromissos, assumidos pelo anterior Executivo, e que podíamos introduzir alterações ao PIP aprovado. Coloquei a possibilidade de diminuir a capacidade construtiva do terreno, que considero excessiva, e foi bem visto pela Câmara do Porto", sublinha aquele responsável, especificando que "o terreno ficaria com área comercial e habitação".
O sócio da FGVS assinala que pretende alienar o terreno e os direitos de construção e aplicar "a mais valia" na construção de um complexo desportivo para o clube, que não será um estádio. "O último investimento que faria no Salgueiros era um estádio", explica. "A ideia é racionalizar o investimento em infra-estruturas que tenham mercado e interesse municipal e para os cidadãos".
Cardoso admite negociar
Embora Carlos Abreu indique a intenção de vender directamente os terrenos, o ex-presidente da Câmara do Porto, Nuno Cardoso, que é sócio da sociedade imobiliária Predial III (que, segundo Carlos Abreu, pertence também ao seu sócio principal na FGVS), assegurou, em declarações ao jornal Público, que admite a possibilidade de comercializar os terrenos em Arca d'Água, apesar de terem sido cedidos ao clube quando integrava o Executivo.