Oano de 2006 foi um dos cinco mais quentes em Portugal desde 1931 e bateu recordes nalguns indicadores meteorológicos. Segundo dados preliminares do Relatório Climatológico de 2006 do Instituto de Meteorologia (IM), este ano deverá terminar com uma temperatura média de 15,99 graus ou ligeiramente mais, o que representa mais um grau do que o valor médio do período de referência, tabelado pelos anos de 1961-1990. A nível mundial, este ano foi o sexto mais quente, com 0,42 graus acima da média.
Ainda assim, deverá ficar aquém do ano de 1997, o mais quente dos últimos 76 anos, com uma temperatura média de 16,57 graus. Apesar de 2006 não ser o mais quente, a tendência de aquecimento global iniciada em meados dos anos 70 mantém-se, segundo a meteorologista Fátima Espírito Santo. E confirma-se com o facto de sete dos dez anos mais quentes desde 1931 terem acontecido depois de 1990 (por ordem, 1997, 1995, 2006, 1990, 1998 e 2003). As diferenças são muito pequenas e representam pequenas variações inter-anuais. "O facto de haver aquecimento não significa que cada ano seja mais quente do que o anterior", explica a especialista do IM.
Além disso, cada ano apresenta os seus recordes. Este ano, por exemplo, a sequência de noites tropicais em Julho (com mínimas acima dos 20 graus) "foi em grande parte do território a maior observada desde 1990", lê-se no relatório. Da mesma forma, a onda de calor de 7 a 18 de Julho foi a mais significativa para esse mês desde 1941, pela duração (11 dias no Alentejo) e pela abrangência territorial a todo o país.
O Verão de 2006 foi o quinto mais quente desde 1931 (depois de 2005, 1949, 2004 e 2003), com recordes absolutos de temperatura máxima em Setembro nalgumas zonas do país. Já o Outono deste ano foi o terceiro mais quente e apresentou a média de temperaturas mínimas mais alta dos últimos 76 anos.
As cinco ondas de calor de 2006 são, aliás, dos fenómenos climáticos mais relevante do ano, a par da queda de neve a baixa altitude e no litoral no dia 29 de Janeiro, realça Fátima Espírito Santo. Em Lisboa, lembra, não se via neve havia 54 anos. No que toca a chuva, 2006 teve o segundo Outubro mais chuvoso desde 1990 e o quarto desde 1931. E bateram-se recordes de precipitação em Elvas, Castelo Branco e Portalegre para os últimos 66 anos.