Pelo menos uma vez por mês vai ser possível andar nas compras até à meia-noite, na Baixa do Porto. O projecto de revitalização da zona central da cidade une comerciantes e empresários de animação nocturna, que procuram, dessa forma, atrair clientes. A iniciativa é da Associação de Bares da Zona Histórica do Porto (ABZHP) e deverá arrancar ainda este mês, referiu o presidente daquela estrutura, António Fonseca, revelando que, por agora, há três boutiques, uma relojoaria, um oculista e uma perfurmaria com participação garantida. Mas, como a receptividade tem sido positiva, o responsável considera que, até ao dia inaugural (ainda não há data definida), haverá mais comerciantes a aderir ao projecto.
Maria Antónia Praça - que, com o marido José e o filho Nuno, detem duas lojas de vestuário masculino em Sá da Bandeira, além de outro estabelecimento na Foz do Douro - foi a primeira a corresponder ao desafio.
"Apoio a iniciativa sem dúvidas. É previso fazer alguma coisa", assinalou a empresária, lembrando, contudo, que a abertura tardia implica a existência de segurança nas ruas. "Há tempos, já tentámos abrir às sextas à noite, mas assustámo-nos", recordou.
"Tem de haver uma convergência de interesses, criando uma articulação entre os estabelecimentos que possam revitalizar a Baixa e que têm um público-alvo semelhante ao que frequenta bares e discotecas", explicou António Fonseca. "A ideia é dar visibilidade ao cartão de visita do Porto, que é a Ribeira, através da interligação com a Baixa", assumiu. As lojas participantes passam a sócias da ABZHP, com uma "adesão especial com interesse para a revitalização da Baixa".
"O comércio está como está também por responsabilidade da maioria dos comerciantes e da própria associação que os representa. É preciso encontrar alternativas, antecipar situações. É isso que nós pretendemos fazer. Se a Baixa do Porto tiver animação até mais tarde, os bares e discotecas saem beneficiados", referiu António Fonseca. "É uma prova de que para animar a Baixa não é preciso muito dinheiro. Fazemos isto sem apoios, contando apenas com a disponibilidade dos empresários. O importante é ter ideias e executá-las", referiu.